Gasto do governo com juros da dívida é recorde

Somente em outubro o País pagou R$ 20,25 bilhões ao credores; 2011 deve ser o primeiro ano em que o gasto com juros deve superar R$ 200 bilhões

FERNANDO NAKAGAWA , RENATA VERÍSSIMO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h05

O governo nunca gastou tanto para pagar os juros da dívida pública, mesmo com o início do ciclo de corte da Selic em agosto. Essa despesa atingiu recorde em outubro, no acumulado do ano e também em 12 meses.

Apenas no mês passado, o País pagou R$ 20,25 bilhões aos credores e os números mostram que 2011 será o primeiro ano em que a despesa com os juros vai superar R$ 200 bilhões. Dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que o governo está cumprindo a meta de economizar dinheiro para pagar os juros da dívida, o chamado superávit primário.

De janeiro a outubro, foi guardado o equivalente a 93% da meta do ano. Estados e municípios, porém, têm apresentado desempenho aquém do esperado e precisam economizar R$ 5,2 bilhões em novembro e dezembro - cifra considerada difícil pelos gastos extras do período, como o 13.º salário. Já prevendo resultado abaixo da meta pelos governos regionais e municipais, o governo federal se prepara para cobrir essa falta de recursos.

Nos dez primeiros meses de 2011, o governo brasileiro desembolsou R$ 197,7 bilhões para pagar credores da dívida, novo recorde. A despesa com juros alcança R$ 235,8 bilhões nos últimos 12 meses - também recorde e equivalente a 5,87% do tamanho da economia medida pelo PIB.

Três motivos explicam as marcas históricas: aumento do tamanho da dívida pública, alta da inflação e elevação dos juros no primeiro semestre. "O crescimento da despesa se deve ao aumento nominal da dívida, é natural. Além disso, a inflação tem crescido nos últimos meses", explicou o chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel.

A inflação, que corre o risco de fechar o ano acima da meta, já é referência de 34% da dívida pública. Ou seja, quando os preços aumentam no supermercado, o governo gasta mais porque os índices de inflação são os indicadores usados como parâmetro para o juro de um terço de toda a dívida. Além disso, o BC elevou o juro básico da economia no primeiro semestre. Nesse caso, a taxa Selic é a referência - direta ou indireta - de toda a dívida emitida pelo Tesouro Nacional.

Superávit. Para pagar essa conta cada vez maior, o governo economizou R$ 13,9 bilhões em outubro.

O esforço, no entanto, não foi suficiente para cobrir a conta de mais de R$ 20 bilhões com juros e o mês terminou mais uma vez com caixa no vermelho, o chamado déficit nominal de R$ 6,3 bilhões.

Os números dão espaço, inclusive, para que o governo central - formado pelo Tesouro Nacional, Previdência e BC - possa cobrir, eventualmente, o não cumprimento da meta de outros setores, especialmente os governos regionais. "Faltam dois meses, mas há margem, caso seja necessário, para cobrir o resultado dos regionais e atingir a meta cheia de superávit primário este ano", disse Maciel.

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