Gasto externo começa na compra de passagens

Antes de colocar os pés no avião em direção a Miami, Paris e outros destinos, os brasileiros somam quase US$ 3 bilhões em gastos no exterior só na fase de planejamento da viagem. A cifra bilionária refere-se às compras de passagens nas companhias aéreas estrangeiras, que são contabilizadas pelo Banco Central como despesas feitas lá fora.

RIO, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h06

Como a compra de bilhetes pelos estrangeiros nas aéreas brasileiras é pouco expressiva, a conta das passagens aéreas amplia em US$ 2,6 bilhões o saldo negativo dos gastos no exterior, que no ano passado foi de US$ 10,5 bilhões. E o rombo não para de crescer. O saldo de janeiro a julho deste ano já supera em 35% o do mesmo período de 2010, de acordo com dados do BC.

Os números são, em parte, resultado da timidez das aéreas nacionais na exploração das rotas internacionais e do apetite das companhias estrangeiras pelo mercado brasileiro.

Para se ter uma ideia da pujança desse mercado, a demanda de passageiros por voos internacionais de janeiro a julho cresceu 17,5% ante igual período do ano passado, apenas nas rotas operadas por empresas brasileiras, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A maioria é de passageiros brasileiros.

"O Brasil tem um mercado consumidor interessante para companhias aéreas internacionais. A inserção social e econômica das classes C e D faz com que muitas pessoas que nunca tinham viajado de avião comecem a ir ao exterior por causa da facilidade do crédito", diz Paulo Sigaud, da Aidar SBZ Advogados.

A receita do rombo se completa com inabilidade do País em ampliar o número de turistas estrangeiros. Em 2010, o Brasil recebeu 5,16 milhões de visitantes, abaixo do recorde de 5,3 milhões de 2005 e considerado fraco para as dimensões do País. E, ao contrário dos brasileiros, os estrangeiros que vem para cá preferem as companhias aéreas de seus países de origem.

Mas, para atrair mais visitantes, o País precisa resolver problemas internos. A escassez de leitos na rede hoteleira, que pressiona os preços e os eleva a níveis acima dos Estados Unidos e da Europa, é um dos principais gargalos. A lição de casa, de acordo com especialistas, passa ainda por melhorar a qualidade dos serviços aos turistas. / G.G.

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