Gasto público abate otimismo

Economistas estão mais cautelosos

, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

O aumento dos gastos do governo, especialmente com a contratações de funcionários, abalou o otimismo de economistas em relação à atividade econômica. Depois de sete altas consecutivas, o Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) caiu 6,8% em agosto, na comparação com o mês anterior.

No mês passado, o indicador recuou para 98,2 pontos e foi para a zona de pessimismo, depois de ter atingido 105,4 pontos em julho. O índice, elaborado em parceria com a Ordem dos Economistas do Brasil, que avalia a expectativa de cerca de 100 profissionais de destaque do setor, indica otimismo quando o resultado supera 100 pontos.

"O resultado de agosto mostra que os economistas fizeram as contas e concluíram que a economia brasileira vai sair crise, mas terá de arcar com custos", afirma o assessor econômico da Fecomércio-SP, Fábio Pina. Para ele, o otimismo foi abalado porque os profissionais avaliaram melhor as variáveis e fizeram um ajuste.

Entre as variáveis que reavaliadas, Pina aponta os gastos públicos, a inflação e os juros. Em relação aos gastos públicos, o fator mais importante para retração do índice é a piora da qualidade. No lugar de o governo gastar com investimentos, que no médio prazo geram aumento do emprego e da atividade, houve crescimento dos gastos com contratações de pessoal.

Para Pina, ocorre o aparelhamento da máquina e dos gastos permanentes de pior qualidade, que devem intensificar-se em 2010, com as eleições. "A dívida pública ficou comprometida com o aumento dos gastos permanentes."

Além do aumento dos gastos públicos, ele destaca que os profissionais detectaram que juros e câmbio estão "fora do eixo". Isso pode significar, no médio prazo, aumento das pressões de preços, que podem levar o Banco Central a subir os juros no ano que vem. Com isso, o ritmo de atividade deve recuar.

VENDAS

Enquanto os economistas refazem os cálculos sobre o "preço" da crise, as vendas do comércio como um todo continuam positivas no ano. Pesquisa da Fecomércio-SP mostra que, entre janeiro e julho, o setor acumula crescimento real de 0,3% ante os mesmos meses de 2008. Nesse período do ano passado, o ritmo da economia era intenso e não se falava em crise.

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