Gasto público com juros da dívida recua pelo oitavo mês

O chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel, comemorou o resultado mais positivo da rubrica de juros verificada na nota do setor público, divulgada nesta sexta-feira. "As notícias são boas em termos de juros", disse. Ele lembrou que o resultado visto em agosto (R$ 19,118 bilhões) ficou inferior ao de agosto de 2011 (R$ 20,574 bilhões). "Temos visto uma redução desde dezembro do ano passado. É o oitavo mês de recuo", enfatizou.

CÉLIA FROUFE E EDUARDO CUCOLO, Agencia Estado

28 de setembro de 2012 | 13h25

O total também é menor no ano até agosto de 2012 (R$ 147,580 bilhões) em relação aos primeiros oito meses de 2011 (R$ 160,207 bilhões). A expectativa de Maciel é de que, ao final do ano, as despesas com juros somem R$ 236,7 bilhões. O que tem levado a um gasto menor com os juros, segundo Maciel, é o impacto menor da Selic e da inflação este ano na comparação com 2011. "Mesmo com a ampliação da base de incidência, há uma diminuição do custo dessa dívida e de apropriação das despesas de juros", disse.

O chefe do departamento econômico do BC não quis comentar, porém, se a estratégia do Tesouro Nacional, de reduzir o total de títulos indexados à Selic, pode trazer um novo tipo de preocupação para a área fiscal. Isso porque, apesar de haver migração para títulos prefixados, a maior parte tem sido absorvida por papéis indexados a índices de preço.

Na quinta-feira (27), o BC apresentou projeções para a inflação ainda acima do centro da meta até meados de 2014, com exceção do terceiro trimestre de 2013, que estava exatamente no alvo, em 4,5%. "Temos tido inflação dentro da meta há oito anos", limitou-se a dizer.

Apesar de registrar crescimento em 12 meses até agosto passado em relação a um ano antes, o resultado nominal da dívida deve recuar até o final do ano, disse Maciel. Ele afirmou que devem impactar a rubrica os efeitos defasados de uma Selic mais baixa em 2012 do que em 2011. "Parte da dívida é vinculada a prefixados, que também têm influência na queda da Selic, mas com defasagem. O segundo ponto é o de que, à medida que o processo avança, o movimento da Selic é mais visível e mais repercute no resultado."

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