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Gasto suíço poderia chegar a US$ 213 bilhões

Governo suíço diz que projeto de renda mínima pode levar a cortes nos gastos públicos ou a aumento de impostos

Jamil Chade / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2016 | 16h35

O governo da Suíça já se declarou contrário à ideia de estabelecer uma renda mínima para os cidadãos, alertando que a iniciativa poderia levar a profundos cortes nos gastos públicos ou aumento de impostos. As estimativas apontam que, para funcionar, o Estado teria de gastar 208 bilhões de francos (US$ 213 bilhões) por ano. Se parte poderia vir do que é hoje usado para planos sociais e subsídios, a alta nos gastos seria de pelo menos 25 bilhões de francos (US$ 25,6 bilhões) para financiar o projeto.

Um dos poucos a sair em defesa do projeto até agora foi o Partido Verde. Segundo o grupo político, a renda incondicional “permitirá que seja repensada a relação entre a sociedade e o trabalho e se valorizará o trabalho não pago do voluntário, tão importante para a coesão social”.

Pesquisas. Por enquanto, porém, a população suíça não se convenceu sobre o projeto. Na última pesquisa de opinião, realizada em abril, 57% dos entrevistados disseram que seriam contra a iniciativa. Mas, para os autores da proposta, o “sim” vem ganhando força e o objetivo é de que, mesmo que não seja aprovada agora, a ideia entre na agenda oficial do país.

Esse, porém, não terá sido o primeiro teste da iniciativa. Dez anos depois de Thomas More lançar seu livro Utopia, seu aliado Johannes Ludovicus Vives apresentou uma proposta para implementar o projeto numa cidade belga, em 1526. Ao longo dos séculos, o assunto seria alvo de debates e avaliações por pensadores como Montesquieu, Tom Paine e Thomas Spence.

Sem conseguir ser alvo de um consenso, porém, o projeto foi transformado em sistemas de ajuda social, baseado em aposentadorias aos mais velhos e planos de assistência. A partir da década de 70, outros projetos começariam a ser implementados de forma local, como no Estado de Manitoba, no Canadá, ou no Alasca. Testes ainda foram realizados na Namíbia, Finlândia e cidades holandesas como Utrecht e Tilburg.

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