Gasto suspeito em refinaria nos EUA

O contrato PAC SMS da Odebrecht com a Petrobrás inclui a unidade de Pasadena (Texas, EUA). A refinaria é alvo de outras investigações. Promotores, Tribunal de Contas da União e congressistas apuram denúncias de superfaturamento e evasão de divisas na compra da refinaria pela Petrobrás.

RIO, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2013 | 02h07

Os dois escândalos são casos separados: o primeiro trata de um contrato de US$ 825 milhões para serviços e reparos em dez países, assinado pela Petrobrás com a Odebrecht. O segundo trata da compra da refinaria nos EUA, que antes pertencia à belga Astra, por US$ 1,18 bilhão.

Os dois contratos têm em comum a origem: a área Internacional da Petrobrás, de onde saíram outros contratos sob suspeita.

Serviços. Os serviços da Odebrecht na planta somam US$ 176 milhões, o que eleva os gastos da Petrobrás em Pasadena para mais de US$ 1,354 bilhão. Os serviços ainda estão em andamento - 90% concluídos, segundo a própria Odebrecht - e têm entrega prevista para fevereiro de 2014.

Mesmo com o corte do contrato da Odebrecht, de US$ 825 milhões para US$ 481 milhões, não houve alteração nos valores nos Estados Unidos, exclusivamente feitos na refinaria. A maior parte do valor se refere à rubrica contingência (US$ 157 milhões), descrita como "contingenciamento e combate a incêndio".

Refinaria antiga. Pasadena, uma refinaria antiga para 100 mil barris/dia de baixa complexidade (refina óleo leve), foi comprada por uma trading belga, Astra, em 2005 por US$ 42,5 milhões. A Petrobrás comprou a mesma refinaria por US$ 1,18 bilhão, 50% em 2006 por US$ 360 milhões e os 50% restantes em 2012. Só o valor do serviço com Odebrecht era maior que o preço de venda da refinaria quando o contrato foi fechado.

A Petrobrás desistiu no início deste ano de vender a refinaria. Decidiu antes investir na planta para recuperar valor. A petroleira já admitiu um prejuízo de R$ 464 milhões. / S.V.

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