Gastos de brasileiros no exterior somam US$ 2,34 bi

Cotação do dólar em relação ao real e o acesso facilitado a passagens aéreas estimularam as despesas em abril

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2014 | 02h03

Os brasileiros nunca gastaram tanto no exterior quanto em abril, de acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central. No quarto mês do ano, as despesas de turistas fora do País somaram US$ 2,344 bilhões, um recorde. Já as compras de estrangeiros em território nacional totalizaram US$ 547 milhões. Segundo especialistas, a cotação do dólar em relação ao real e o acesso facilitado à aquisição de passagens aéreas estimularam essas despesas. Nem mesmo a tributação no cartão de crédito para compras no exterior, de 6,38% de Imposto sobre Operações Financeiras, seguraram esses gastos.

Apenas no cartão de crédito, os brasileiros gastaram US$ 1,022 bilhão no exterior - 30% mais em comparação ao mês anterior. A possibilidade de aquisição de produtos a preço inferior ao encontrado no Brasil tornam as compras lá fora interessantes para os consumidores, mesmo com a tributação.

Em abril, o dólar comercial começou valendo R$ 2,26 e terminou o mês em R$ 2,23, o que impulsionou as viagens. Hoje, está em R$ 2,21. O dólar para turismo, em geral, fica de R$ 0,10 a R$ 0,15 mais caro que o comercial. Outro fator que minimiza o impacto do câmbio é a contratação de pacotes de viagens meses antes.

Mas o economista Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC, disse que ainda é cedo para explicar a aceleração. Em sua avaliação, mais dados são necessários para poder se falar em tendência. "O crescimento da conta de viagens não seguiu padrão de moderação e cresceu 19% em comparação a abril do ano passado", calculou Maciel. "O crescimento de viagens em abril é uma primeira observação, não dá para avaliar se é pontual ou se é uma nova tendência."

Para Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, os gastos dos turistas brasileiros fora do País devem se estabilizar. "Parte desse movimento pode ser explicada pela apreciação do real observada nos últimos meses", afirmou, em nota encaminhada aos clientes do banco ontem. "Apesar desse aumento, acreditamos que a conta deva se estabilizar em torno de US$ 18 bilhões no ano, pressionando menos o déficit de serviços do que no ano passado."

Estímulo. O técnico do BC informou ainda que a valorização cambial em março e abril "pode estar repercutindo em dados de viagem", estimulando as despesas no exterior. Em maio, segundo informações do BC, as despesas de viagens internacionais continuam fortes. Até dia 21, o saldo dessa conta estava negativo em US$ 1,425 bilhão. O número representa a diferença entre o que os turistas estrangeiros gastam no País e o que os brasileiros compram no exterior. O saldo negativo de abril também foi maior do que o visto em igual mês de 2013, de US$ 1,51 bilhão. No acumulado do ano, o déficit de viagens soma US$ 5,9 bilhões. / V.M. e L.A.

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