Gastos públicos não têm controle, diz consultor

O consultor João Marcos Cicarelli afirmou ontem que a carga tributária continua sendo o grande empecilho para o desenvolvimento da economia brasileira. "No primeiro semestre, a carga tributária está em 37,5% do PIB. É praticamente um confisco", salientou Cicarelli, no Conta Corrente, da Globo News. Ele acha que as perspectivas trazidas com a reforma tributária não são animadoras: "Essa reforma, que está sendo longamente debatida, não dá mesmo tranqüilidade para ninguém de que vai haver uma redução da carga tributária." Para o consultor financeiro, ainda não está havendo controle dos gastos públicos nem na fiscalização. "Arrecada-se muito, gasta-se errado e sem critério e até mesmo a fiscalização é meio duvidosa", sugeriu. "Tem imposto saindo pelo ladrão e tem ladrão saindo com o nosso imposto."Cicarelli acredita que o ministro Palocci acabou por cometer um "ato falho" ao dizer que ainda não é possível se fazer uma reforma mais aprofundada porque o País ainda permanece em recessão. "Nós deixamos de afundar na recessão, mas ainda não saímos dela", concordou o consultor. Porém, ele prevê que o mercado poderá usar a afirmação como pretexto para a realização de lucros: "No mercado financeiro e, principalmente, na Bolsa de Valores o investidor está no compasso Tim Maia (Me dê motivo), esperando um motivo para realizar lucro. Esta fala do ministro dizendo que ainda não saímos da recessão pode, sim, ser o gancho que o mercado estava precisando para poder realizar."Recuperação "sem exuberância"Na contramão da onda otimista suscitada pela emergente recuperação da indústria, o consultor de investimentos disse que o aquecimento da economia neste fim de ano já era esperado. "Houve um represamento das projeções ao longo do ano, que não cresceu de forma diluída nos meses que se pensava", lembrou. Daí o crescimento concentrado neste fim de ano: "Agora no último trimestre nós vamos ter ministérios liberando verbas que estavam represadas, nível de comércio numa atividade um pouco maior", frisou. "É de se esperar que nós tenhamos um comportamento melhor da economia agora e, quem sabe, para iniciar em 2004 um processo de equilíbrio", ressalvou. "Esse entusiasmo dos industriais é interessante e pode ser contagiante, mas não será tão exuberante como se pensava." Nota melhor para papéis brasileirosJoão Marcos Cicarelli concorda com a expectativa do mercado de que os títulos da dívida brasileiros deverão ter uma reclassificação para melhor, embora ressalve que a mudança pode não ser imediata. "Eu acredito numa reclassificação para cima, mas não com a força que muitos estão esperando", alertou. "Eu acho que talvez até não venha amanhã nem na semana que vem. As agências de reclassificação são muito criteriosas, são reticentes para fazer essa reclassificação na ansiedade do mercado."Cicarelli ponderou que não se deve esperar uma reclassificação semelhante àquela da Rússia: "Os fundamentos da Rússia estão bem melhores do que os nossos", justifica. "Mas eu tenho a impressão de que está maduro o momento de nós termos uma classificação melhor."

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