Gastronomia ganha status profissional

Professor diz que valorização é consequência da atuação de profissionais que se tornaram chefs, maîtres e barmen conceituados

EDILAINE FELIX, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2013 | 02h25

O consultor em professor hotelaria e turismo Virgílio Carvalho acredita que cada vez mais trabalhar na área de hotelaria e gastronomia deixou de ser a última oportunidade de trabalho para se transformar em uma profissão de valor, com destaque para os profissionais de cozinha.

"Não podemos esquecer a valorização dada ao ramo de gastronomia, que no passado era só para saciar a fome e hoje tem grandes chefes, maîtres e barmans já formados no Brasil dando status profissional ao setor."

Estudante de tecnologia em gastronomia da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) Diego Santos Velloso, de 28 anos, conta que desde criança tinha curiosidade de aprender a cozinhar, mas a vida o levou para outros caminhos. Formou-se em física, foi dar aula, mas diz que o desejo pela culinária continuou adormecido.

"Um dia despertei e decidi entender mais sobre os cursos de gastronomia disponíveis. Pesquisei as melhores universidades e o mercado de trabalho, me capitalizei, larguei o magistério e fui realizar o meu sonho." Velloso não mostra arrependimento. Está no segundo semestre e diz que a faculdade superou suas expectativas, tanto em relação ao aprendizado quanto às oportunidades de trabalho.

"Eu não comecei a estagiar logo no primeiro semestre por que achei importante conhecer mais sobre a área, os produtos e os ingredientes, ter mais preparo e qualificação. Eu não sabia fazer nada", reconhece.

A partir do segundo semestre Velloso acreditou que estava mais bem preparado para encarar o mercado e revela que não teve dificuldade para conseguir uma vaga de estágio no restaurante Di Cunto. "Comecei como auxiliar de cozinha, lavando louça, separando produtos e utensílios para preparar o prato e acabo de ser contratado como cozinheiro. Estou realizado."

O jovem cozinheiro quer continuar se dedicando ao restaurante e aos estudos e pensa no futuro: ao terminar o curso ele pretende se especializar e viajar para a Itália a fim de estudar e conhecer mais sobre a culinária internacional.

"Estou aprendendo que essa área é muito grande e com muitas possibilidades, não deixei a física de lado, para sempre, mas por enquanto, eu abracei a gastronomia para a minha vida."

Postura. Aos 30 anos, Luis Gustavo Nascimento Galvão, é chef de cozinha do restaurante Dalva e Dito. "É muito gratificante chegar a chef e em seis anos de profissão", declara.

Galvão, conhecido como Canadá, diz que adquiriu o gosto pela culinária com o pai, que era o responsável pelos almoços de família aos domingos. Ele conta que sempre ficava atrás do pai e aos 11 anos já preparava tortas de morango e de limão.

Com 16 anos, foi estudar inglês no Canadá e lá aprende sobre novos ingredientes nos programas de culinária. Ao retornar ao Brasil, aos 22 anos, foi estudar gastronomia, queria ser cozinheiro. Desde que entrou na faculdade nunca ficou sem trabalho, foi cumim, garçom, auxiliar de cozinha, lavou pratos. "Sobram vagas", diz.

Começou no Dalva e Dito como cozinheiro e diz que não imaginava que daria tão certo e chegaria a chef de cozinha. "Ser chef tão rápido, e de um restaurante do Alex Atala, é a realização de um sonho."

Postura e trabalho em equipe são características apontadas por ele para ter sucesso na profissão. Ele revela que hoje está satisfeito, mas que ainda está em fase de aprendizado na profissão. "Quero trabalhar muito e estagiar na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos para abrir a cabeça e recheá-la de ideias."

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