Antônio Cruz/Agência Brasil
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‘Gatilho’ da idade mínima é carta na manga

Para ampliar economia com reforma, governo tem trunfo do aumento da expectativa de vida

Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes, Impresso

08 de maio de 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Embora tenha perdido parte da economia esperada com a reforma da Previdência devido às mudanças no texto, o governo ainda carrega um trunfo que pode manter os efeitos da proposta por um tempo maior. Trata-se do chamado “gatilho”, que vai elevar a idade mínima de aposentadoria no Brasil sempre que a expectativa de sobrevida aos 65 anos subir um ano em relação à média atual.

“Ele garante que tenha evolução da idade mínima conforme a expectativa de vida das pessoas”, explica o secretário de Previdência, Marcelo Caetano. Hoje, a proposta prevê idades mínimas de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres. O gatilho vale inclusive para categorias especiais que conquistaram idades mínimas menores, como professores, policiais e trabalhadores rurais.

Quando apresentou a proposta de reforma, as estimativas iniciais do governo apontavam que o gatilho seria acionado duas vezes até 2060, a primeira delas já na virada dos anos 20 para os anos 30.

Mas o gatilho só entrará em vigor quando o Congresso Nacional aprovar uma lei ordinária regulamentando como será calculada a expectativa de vida. Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o órgão oficial que divulga essas informações. “É uma questão técnica, não há como determinar isso por meio da Constituição”, diz Caetano. A aprovação de uma lei ordinária requer apenas maioria simples, desde que metade dos parlamentares esteja presente na sessão.

INFOGRÁFICO: Entenda a proposta

Idosos. A presença do gatilho é importante para que a reforma da Previdência continue eficiente com o passar dos anos, quando o aspecto demográfico pesará ainda mais sobre as contas públicas do País. Segundo estudo do IBGE, em 2010 havia 15,6 idosos (acima de 60 anos) para cada 100 pessoas em idade ativa. Essa relação deve subir a 21,2 em 2020 e chegará a 51,9 em 2050.

Votação no plenário ainda está sem data

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, disse ontem que ainda não está definida a data de votação da reforma da Previdência no plenário da Câmara . Ele evitou reconhecer que o governo não tem hoje os 308 votos necessários para aprovar a proposta, mas admitiu que a definição da data de votação vai depender da articulação com as bancadas da base aliada.

Imbassahy teve reunião com o presidente Temer e os ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e o vice-líder do governo, Darcísio Perondi (PMDB-RS), além do relator do projeto Arthur Maia (PPS-BA).

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