Gaúcha Comil investe em fábrica de ônibus urbanos em São Paulo

Transporte. Terceira maior fabricante de ônibus do País vai erguer uma nova unidade em Lorena, no interior paulista, com investimentos de R$ 110 milhões; fábrica da empresa em Erechim (RS) opera atualmente perto do limite da capacidade

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2012 | 03h09

A Comil, terceira maior fabricante de ônibus do País, vai construir uma fábrica em Lorena (SP), no Vale do Paraíba, um investimento de R$ 110 milhões. O grupo, de capital 100% brasileiro, tem sede em Erechim (RS), onde produz carrocerias para veículos rodoviários, urbanos e micro-ônibus.

A nova unidade será exclusiva para ônibus urbanos e ficará pronta no segundo semestre de 2013. Deve gerar 500 empregos diretos e mil indiretos, segundo o diretor-geral da Comil, Silvio Calegaro. A capacidade de produção será de 20 veículos ao dia, a mesma da fábrica gaúcha.

Deoclécio Corradi, presidente do conselho da companhia, afirma que a produção dos urbanos será concentrada na nova fábrica, o que também abrirá espaço para ampliar as linhas de montagem dos demais produtos na fábrica de Erechim, que opera perto do limite da capacidade.

No ano passado, o grupo vendeu 4,1 mil ônibus, ante 3,6 mil em 2010. Para este ano, a previsão é de repetir os números de 2011, ou ficar um pouco abaixo. Assim como ocorreu no segmento de caminhões, a mudança da tecnologia dos motores para o chamado Euro 5 (menos poluente) também levou a uma antecipação de compra de ônibus por parte dos frotistas.

Calegaro diz que Lorena foi escolhida por estar próxima aos três maiores centros consumidores urbanos do País: São Paulo, Rio e Minas Gerais, que concentram 60% das vendas da marca. "Nossos maiores fornecedores também estão na região", diz. A empresa recebe chassis de empresas como Mercedes-Benz e MAN, monta as carrocerias e entrega os veículos completos.

A fábrica de Erechim, antes chamada de Incasel, foi adquirida em 1985 pela família Corradi e emprega cerca de 3 mil pessoas. O grupo faturou R$ 550 milhões em 2011, 25% com exportação.

O anúncio oficial da nova unidade será feito hoje ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O presidente da Investe São Paulo (agência de investimento do governo do Estado), Luciano Almeida, lembra que São Paulo quase perdeu a fábrica para Minas, que chegou a anunciar o projeto. Segundo ele, uma das razões de apresentar Lorena aos investidores é a estratégia de descentralização interna. A Comil será a maior empresa da cidade, cujo índice de desenvolvimento não está entre os maiores do Estado. "O impacto na economia local será muito grande."

Novos projetos. A Comil será a quarta fabricante de veículos a se instalar em São Paulo até o fim de 2013. Em 9 de agosto será inaugurada em Sorocaba a nova fábrica da japonesa Toyota - que já tem unidade em Indaiatuba. A filial vai produzir o compacto Etios e terá capacidade para 70 mil automóveis ao ano. O investimento é de US$ 600 milhões e serão gerados 1,5 mil empregos.

Em setembro, a coreana Hyundai inicia a produção em sua primeira fábrica exclusiva no Brasil, em Piracicaba, embora a cerimônia de inauguração só vá ocorrer na primeira quinzena de novembro. Com capacidade para 150 mil unidades ao ano e investimento de US$ 600 milhões, vai produzir o compacto HB20. Já foram contratados 1,2 mil funcionários e até o fim do ano a meta é ter até 2 mil trabalhadores.

No fim de 2013 também entrará em operação a linha de montagem da chinesa Chery, em Jacareí. O investimento é de US$ 400 milhões para uma capacidade inicial de 50 mil carros ao ano.

Almeida calcula que as novas fábricas e a ampliação das atuais, como a da Volkswagen, vão ajudar São Paulo a recuperar participação na produção nacional de veículos. "Devemos aumentar nossa participação para 50%." Hoje, o Estado, que nos anos 90 respondia por 74,8% da produção, hoje participa com 42,4%.

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