Filipe Araújo/Estadão
Filipe Araújo/Estadão

Gaúcho, mas com carne europeia

Apesar de ter nomes típicos, churrascarias “brasileiras” na Europa afirmam que não foram afetadas pelo embargo e admitem que apenas trabalham com carnes de outros países.

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2017 | 14h59

GENEBRA – Em seus nomes, elas são gaúchas, cariocas ou mineiras. Na decoração, o verde-amarelo predomina, inclusive com imagens do Brasil e a bossa-nova como música ambiente. Mas, no prato, o que servem não são produtos brasileiros. 

Churrascarias rodizio pela Europa, criadas por brasileiros, afirmam que não estão sendo afetadas pela crise que eclodiu depois da Operação Carne Fraca e os controles impostos pelas autoridades europeias. O motivo: elas já não compravam carnes brasileiras. 

Em Lisboa, um dos responsáveis pelo restaurante Fogo de Chão, Antonio Reis, afirmou que, por enquanto, a polêmica sobre as carnes brasileiras não os atingiu. “Trabalhamos com carne argentina e uruguaia”, explicou, indicando que a opção havia sido por conta da qualidade mais elevada do produto dos países vizinhos ao Brasil. “Para nós, o que ocorreu no Brasil não nos afeta”, explicou. 

Na churrascaria Costelão Gaúcho, também em Lisboa, o impacto da operação policial no Brasil foi inexistente. Um dos funcionários indicou ao Estado que, para os cortes nobres, importam o produto principalmente do Uruguai. Para a carne mais barata, recorrem a produtos da Polônia e Holanda, mais baratos que importar do Brasil. 

Em Madri, o restaurante El Novillo Carioca também indicou que tem como seu fornecedor empresas espanholas que vendem os produtos com o mesmo corte usado no Brasil. “Existem boas carnes na Espanha”, indicou Walter, um carioca que é um dos administradores do local. Com 27 anos, o restaurante é uma das referências na capital espanhola quando se fala de churrasco. O brasileiro, porém, apenas lamenta a falta de cupim entre os seus cortes. 

Em Genebra, o “Le Rodizio Gaucho” anuncia em seu site que oferece “carnes deliciosamente preparadas à moda dos gaúchos do Sul do Brasil”. Ao Estado, o estabelecimento confirmou que não vende carnes brasileiras e que, por isso, não foi afetado pelos embargos impostos também pela Suíça. 

De acordo com os funcionários, as altas tarifas de importação impedem o fornecimento e o restaurante é obrigado a se abastecer de um produto suíço de carnes. 

Nesta sexta-feira, veterinários da União Europeia recomendaram que portos e outras aduanas pelo continente reforcem o controle sobre importação de carne brasileira. 

A partir de agora, verificações físicas e também microbiológicas serão recomendadas e ampliadas, na esperança de evitar que carne com algum tipo de problema sanitário possam entrar na cadeia alimentar do continente. 

No fim de semana, a Europa exigiu que o Brasil tirasse da lista de exportadores quatro empresas envolvidas na Operação Carne Fraca. Mas existe o temor de que essa medida não seja suficiente. Bruxelas já indicou que, se nesses exames alguma irregularidade for encontrada, tomará providências para ampliar as barreiras contra as carnes nacionais. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.