Gávea avalia se vai participar no aumento de capital da MPX

Gestora de recursos do ex-presidente do BC Arminio Fraga tem menos de 5% na empresa de energia de Eike

WELLINGTON BAHNEMANN / RIO, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2013 | 02h08

Em meio à crise de confiança que assola o Grupo X e vem derretendo o preço das ações das empresas do empresário Eike Batista, a Gávea Investimentos ainda avalia se vai participar do aumento de capital da MPX Energia.

Detentora de participação acionária relevante na empresa, mas inferior a 5%, a gestora de recursos do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga aguarda os desdobramentos dos problemas do grupo para tomar uma decisão. "Vamos esperar para ver o que vai acontecer de fato. Porém, a tese do investimento é muito sólida e gostamos muito do ativo", comentou o sócio-fundador da Gávea Luiz Henrique Fraga.

A Gávea Investimentos entrou na MPX em maio de 2012 depois da conversão em ações de debêntures no valor de R$ 200 milhões. Com a operação, a gestora passou a ter um assento no conselho de administração da geradora, sendo hoje representada por Christopher Meyn, o sócio responsável pela gestão do Gávea Investment Funds. Nesse contexto, a empresa adota um tom de cautela em relação à MPX e à operação de aumento de capital que pretende levantar R$ 1,2 bilhão.

Para o também sócio-fundador da Gávea Investimentos Arminio Fraga, a MPX está sendo "vítima" do mau momento vivido em virtude das dificuldades enfrentadas pela petrolífera OGX, situação que tem contaminado a percepção dos investidores em relação às demais companhias do "Império X", mesmo aquelas vistas como mais sólidas pelo mercado, como a geradora de energia.

Como prova de confiança nesse ativo, o executivo citou a presença da alemã E.ON como sócia estratégica da MPX, uma das maiores empresas de energia da Europa. "A MPX tem um sócio estratégico global", disse.

Hoje, a E.ON detém 36% da MPX.

As ações da MPX acumulam queda expressiva no valor de mercado. Hoje, o papel é cotado a R$ 6,69, desvalorização de 40% em 2013. Quando a operação de conversão das debêntures foi feita, em maio de 2012, o papel ON da geradora era negociado no mercado a R$ 11,50.

O recuo no preço das ações teve início pouco depois de a OGX anunciar resultados decepcionantes no campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos, em junho de 2012.

"A MPX vai muito bem e estamos seguros quanto a esse investimento. As ações têm caído, mas a bolsa tem caído como um todo", comentou o executivo.

O aumento de capital faz parte da operação acertada entre Eike e a E.ON para que a empresa alemã adquirisse 24,5% do capital total da MPX, chegando aos 36% atuais. O problema é que o valor de R$ 1,2 bilhão toma como referência o preço por ação de R$ 10, definido na garantia firme assumida pelo BTG. Como o valor da papel está abaixo disso hoje, comenta-se no mercado que o banco teria recuado da garantia.

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