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Gávea negocia com fundos soberanos recursos para comprar o Fleury

Gestora do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga procurou a Temasek, companhia de investimentos do governo de Cingapura, e o Adia, fundo dos Emirados Árabes, para levantar cerca de R$ 1 bilhão e adquirir o controle acionário do laboratório

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2014 | 03h48

A Gávea Investimentos está em conversas com fundos soberanos para levantar cerca de R$ 1 bilhão para comprar a participação dos médicos acionistas do laboratório Fleury, segundo fontes familiarizadas com a operação. O 'Estado' apurou que a gestora fundada pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga já conversou com a Temasek, companhia de investimento do governo de Cingapura, e com o Abu Dhabi Investment Authority (Adia), fundo soberano do governo de Abu Dhabi.

A operação que a Gávea está estruturando para levantar o dinheiro poderá envolver mais de um fundo, segundo as mesmas fontes. Com 30% de participação no laboratório mineiro Hermes Pardini, a Gávea planeja adquirir o controle do Fleury, que está nas mãos da Core Participações, que tem 24 médicos como acionistas. Eles, juntos, têm uma fatia de 41,2% direta e indireta do negócio. O valor da transação é avaliado em R$ 1,5 bilhão pelo mercado. Procurados, o Gávea e a Temasek não comentam o assunto. O Adia não retornou os pedidos de entrevista.

A Temasek está capitalizada e interessada em elevar sua participação em empresas brasileiras com perspectivas de crescimento no longo prazo, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto. No Brasil, a companhia é sócia na divisão de óleo e gás da Odebrecht, na qual a Gávea também é acionista, e da Netshoes, companhia brasileira de e-commerce. O tíquete médio de investimento da Temasek gira entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões, mas não é regra. Em 2010, desembolsou US$ 400 milhões para entrar na Odebrecht O&G.

O mesmo ocorre com o fundo de Abu Dabhi. "O Adia está procurando investimentos em países emergentes e olha aportes no Brasil", afirmou uma fonte, acrescentando que o Gávea também estaria em contato com fundos soberanos de Dubai.

Exclusividade. Em março, a Core Participações, principal controladora da rede de laboratórios, informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que negocia em caráter exclusivo a venda de sua participação direta e indireta para a Gávea. Em novembro passado, em outro comunicado, a rede de laboratórios confirmou a contratação do banco de investimento americano JPMorgan para avaliar alternativas estratégicas, com eventual ingresso de novos investidores na companhia. Procurado ontem, o Fleury não comenta o assunto.

As negociações da venda do controle do laboratório Fleury esquentaram o mercado nos últimos meses. No início do ano, os fundos de investimentos americanos Carlyle (que já comprou CVC, Ri Happy e Tok&Stok) e KKR, além do gestor brasileiro Pátria, chegaram a avaliar a empresa, mas não seguiram adiante.

No início de fevereiro, executivos do Hermes Pardini davam as negociações envolvendo o Gávea como certa. Fontes ligadas ao laboratório mineiro informaram que a companhia aguarda os resultados de auditorias independentes que foram realizadas no Fleury.

Na terça-feira, as ações do Fleury encerraram o dia a R$ 16,89. No mercado, a expectativa é que a venda saia por algo entre R$ 20 e R$ 22.

Segundo uma fonte do mercado financeiro, se a Gávea fizer a oferta pela participação da Core, terá de fazer a mesma proposta para comprar a participação da Bradesco Seguros, que tem fatia minoritária do bloco de controle do Fleury. A participação da Bradesco Saúde no Fleury, direta e indireta, soma 16,4%. "O Bradesco pode até fazer oferta. É um negócio interessante", disse a fonte. Procurado, o Bradesco Seguro não comenta o assunto.

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