''Gazeta Mercantil'' pode circular hoje pela última vez

CBM, de Nelson Tanure, afirma que edição é a última sob a sua responsabilidade

Marili Ribeiro, O Estadao de S.Paulo

29 de maio de 2009 | 00h00

O jornal Gazeta Mercantil pode estar circulando hoje pela última vez em sua história de quase 90 anos. Em comunicado, a Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), que responde pela atual edição, comercialização e distribuição do jornal, informa que a edição de hoje é a última sob a responsabilidade da empresa. Não está descartada, no entanto, a hipótese de um acerto entre a CBM, do empresário Nelson Tanure, e o dono do título, Luiz Fernando Levy.Em reunião ontem com funcionários do jornal, Eduardo Giacome, representante da CBM, informou que aguarda até hoje uma posição de Levy. Nas negociações entre os advogados de ambas as partes, que se prolongam desde quarta-feira, não se chegou a qualquer acerto ontem. Mas Giacome disse aos funcionários que a CBM teria proposto a Levy um período de transição de 90 dias, para que ele voltasse a assumir a empresa. Anteriormente, a própria CBM havia ventilado que estaria disposta a bancar o jornal por mais 45 dias.No encontro de ontem, Giacome também informou que antes de dar início ao processo de realocação dos funcionários do jornal nas outras empresas do grupo CBM, como havia sido prometido, serão concedidas férias de 30 dias a partir de segunda-feira. O jornal tem hoje menos de 90 pessoas, entre jornalistas e funcionários de outros departamentos. A CBM edita também o Jornal do Brasil e é dona da Editora Peixes.Os jornalistas chegaram a preparar uma edição histórica de despedida que circularia hoje. Mas a iniciativa foi abortada. A diretoria da empresa resolveu fazer apenas um comunicado informando o fim da gestão do grupo de Tanure à frente do jornal. A publicação completará 90 anos em 2010 e vive um período de dificuldades desde a década de 90, em razão de pesado endividamento e de passivos trabalhistas. A associação entre Levy e Tanure, dono do grupo Docas Investimentos, ao qual pertence a CBM, foi celebrada em 2003, por meio de um contrato de arrendamento do título. É esse contrato que Tanure agora quer rescindir. A principal razão alegada para a rescisão tem sido a cobrança de credores da Gazeta, que têm conseguido bloquear receitas de outras empresas de seu grupo. Caso, por exemplo, do recente pedido da Justiça Trabalhista de São Paulo de penhora de ações e cotas societárias da empresa Intelig Telecomunicações, que foram compradas pela operadora de telefonia TIM por um valor estimado em R$ 650 milhões. A Justiça quer as ações como parte do pagamento da dívida trabalhista de cerca de R$ 200 milhões contabilizada nos processos contra a Gazeta Mercantil. A juíza Maria Aparecida Vieira Lavorini,da 26.ª Vara do Trabalho, está juntando o máximo de informações sobre Nelson Tanure e suas empresas, enquanto aguarda a penhora dos R$ 200 milhões em ações da Intelig. A penhora depende da entrega de uma carta precatória à Intelig, no Rio de Janeiro, o que deve ocorrer na segunda-feira. A partir do recebimento do comunicado, o empresário terá cinco dias corridos para tentar o embargo da decisão. A juíza questiona os motivos por que levarão a TIM a adquirir as ações, sabendo da situação e do endividamento trabalhista do grupo de Tanure. COLABOROU PAULO JUSTUS

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