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''Gazeta Mercantil'' pode deixar de circular

A CBM, que é dona da marca, diz que só vai publicar o jornal até 30 de maio

Marili Ribeiro, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2009 | 00h00

Em reunião com os editores executivos da Gazeta Mercantil na tarde de ontem, a direção da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM ) confirmou a disposição de editar o diário, que existe há quase 90 anos, só até o fim do mês. Depois, disseram eles, caberá a Luiz Fernando Levy, filho do fundador do jornal, Herbert Levy, a responsabilidade de tocar a operação. A CBM encerra assim o contrato de licenciamento para edição e comercialização do título que havia assumido em dezembro de 2003.Levy confirmou aos funcionários, por telefone, o que já havia declarado há alguns dias, quando surgiu o boato da desistência da CBM (empresa de Nelson Tanure, dono do Grupo Docas Investimentos), que não pretende assumir a publicação do jornal. Em entrevista ao jornal gaúcho Já, publicada na sexta-feira, Levy declarou: "O Tanure quer devolver, mas é uma coisa unilateral, por enquanto. No fundo, a gente não desliga da Gazeta, mas, para mim, é definitivo: a hipótese da minha participação não existe. É uma decisão pessoal. Não vou ter ações de uma empresa de comunicação". Levy ainda disse que alguma solução terá de aparecer. O impasse é consequência do imenso passivo trabalhista do jornal, estimado em mais de R$ 200 milhões. Mas existem outros débitos, como o pagamento de royalties pelo uso do título. Levy diz não estar sendo pago por Tanure há três meses. Os dois empresários não se entendem, segundo funcionários do jornal. Um atribui ao outro os passivos que precisam ser acertados.Aos funcionários do jornal, a direção da CBM informou ainda que espera a resposta de Levy até hoje, sobre o destino que ele quer dar ao título. A CBM informou ainda que dará apoio financeiro a Levy caso ele queira dar continuidade ao projeto. A CBM não deu detalhes sobre o prazo da ajuda financeira. Para tranquilizar a equipe, de quase 100 pessoas, a direção da CBM disse também que pretende realocá-la em outras empresas do grupo de Tanure.O drama da Gazeta Mercantil não é novo. Desde a década de 90, o jornal enfrenta problemas por falta de pagamentos de salários e cortes de fornecedores, situação que provocou várias ações judiciais. É na cobrança desses passivos que está o maior problema para a continuidade da gestão de Tanure, que assumiu o controle ao fechar o negócio com Levy. Tanure tinha a intenção de ficar apenas com o título do jornal, deixando as pendências judiciais para a antiga empresa. TÁTICAMas a Justiça deu interpretação diversa ao contrato e vem responsabilizando a CBM pelos débitos trabalhistas, entre outros. Faz isso por meio de bloqueios dos créditos a receber da empresa. Por isso, um executivo que trabalhou com Tanure acredita que ele ameaça com o fechamento do jornal apenas para sensibilizar a Justiça e ganhar tempo para uma nova negociação. Há pouco mais de um ano, a empresa de Tanure fez um acordo com juízes para pagar R$ 400 mil por mês como forma de abatimento dos débitos trabalhistas. Com isso, queria evitar os bloqueios dos recebimentos da empresa. Cumpriu o trato por 11 meses, mas, desde o começo do ano, abandonou o acerto. A Justiça voltou a bloquear os créditos a receber da CBM, desde que o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região de São Paulo suspendeu o termo de compromisso assinado com o grupo de Tanure.

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