Gazprom diz não ter prova de assinatura de acordo sobre gás

Estatal russa reclama que não recebeu nem cópia do documento assinado pela Ucrânia, que afirma já tê-lo feito

Efe,

11 de janeiro de 2009 | 13h18

A empresa russa Gazprom disse neste domingo, 11, que ainda não recebeu confirmação alguma de que a Ucrânia assinou o protocolo para a supervisão internacional do transporte do gás russo por território ucraniano. "Na Gazprom, não recebemos sequer um fac-símile do documento assinado em Kiev", informou a assessoria de imprensa da companhia.   Veja também: Ucrânia assina acordo sobre controle de trânsito de gás Rússia e UE assinam acordo sobre gás; falta Ucrânia Galeria de fotos dos países afetados       Em nota, a Gazprom ressalta que o texto do protocolo deve ser "o mesmo que foi rubricado e assinado pela parte russa e a República Tcheca", país que exerce a Presidência rotativa da União Europeia (UE).   A declaração da empresa russa foi feita horas depois de a primeira-ministra ucraniana, Yulia Timoshenko, ter anunciado em Kiev a assinatura do documento em uma entrevista com o primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek. "O gás começará a chegar assim que todos os observadores estiverem nas instalações. Acho que isto ocorrerá no curso de 36 horas", disse Topolanek nesta madrugada na capital da Ucrânia.   Após a assinatura do acordo, teria início o posicionamento de observadores nas estações de bombeamento russas, ucranianas e dos países fronteiriços do Leste Europeu, que controlarão a entrada do gás russo na Ucrânia e sua saída para a Europa. "Foi eliminada a última barreira artificial que supostamente continha o processo de transporte de gás à Europa, por isso agora toda a responsabilidade pelo fornecimento recai sobre a parte russa", declarou Bogdan Sokolovski, assessor do presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, para assuntos de segurança energética.   O problema   No último dia 7, a empresa russa Gazprom suspendeu totalmente a distribuição de gás natural aos consumidores europeus pelo sistema de gasodutos da Ucrânia, após denunciar que o produto estava sendo desviado em território ucraniano, por onde passa cerca de 80% das exportações de gás russas para a Europa.   A suspensão do bombeamento, que afetou gravemente vários países do Leste Europeu e da Europa Central, aconteceu depois que, no dia 1º, a Gazprom cortou os envios diretos para a Ucrânia devido à falta de acordo sobre as tarifas de transporte para este ano. As autoridades ucranianas, porém, rejeitaram de maneira categórica as acusações de Moscou sobre o suposto furto de gás. "Declarações deste tipo não fortalecem a amizade nem a confiança mútua, e desprestigiam não só a Ucrânia, mas também a Rússia", declarou à época o presidente ucraniano, que criticou as declarações dos russos.   Segundo o governo ucraniano, o mandato da missão de observadores internacionais, que inclui observadores russos em instalações ucranianas e especialistas ucranianos nas estações russas, não deverá passar de um mês. "Achamos que a comissão de monitores deve trabalhar no máximo por um mês", disse Timoshenko. Por sua vez, a primeira-ministra disse que ainda há esperanças para um acordo com a Rússia sobre o aumento "proporcional e por períodos" das tarifas para a passagem do gás russo pela Ucrânia.   Em outubro do ano passado, Moscou e Kiev assinaram um memorando no qual referendaram sua intenção de, em três anos, praticarem preços de mercado tanto na comercialização do gás russo como em seu transporte pelo território ucraniano. As negociações sobre o fornecimento do gás russo à Ucrânia, que nos últimos três dias aconteceram em Moscou com a presença do presidente da estatal ucraniana Naftogaz, Oleg Dubina, terminaram sem resultados.   "Foi proposto à Ucrânia que pagasse US$ 450 por cada mil metros cúbicos de gás, preço que praticamente não existe na Europa", disse Dubina ontem, quando voltava da capital russa. O presidente da Naftogaz declarou que, a partir de agora, "as negociações terão que continuar em um outro nível", provavelmente entre os chefes de Governo ou de Estado dos dois países.   Logo após a explosão do conflito, a Gazprom elevou de US$ 250 para US$ 418 a tarifa cobrada da Naftogaz pelo gás russo. Após o corte no fornecimento para a Europa, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, destacou que os contratos com a Ucrânia devem ser assinados com "preços de mercado, de nível europeu", sem benefícios nem descontos.

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