GDF Suez quer usinas de médio porte no País

Maior investidor privado no Brasil na produção de energia elétrica, o grupo franco-belga GDF Suez, controlador da Tractebel Energia, reclamou ontem da falta de projetos para a concessão de hidrelétricas de médio porte.

Adriana Fernandes, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

Segundo o diretor de Negócios da GDF no Brasil, Gil Maranhão Neto, os investimentos privados poderiam ser bastante ampliados se o governo priorizasse também projetos de usinas de médio porte, com capacidade de produção de 800 e mil megawatts (MW).

"O Brasil tem optado por mega-hidrelétricas", disse Maranhão, após participar do I Fórum de Sustentabilidade organizado pela Câmara de Comércio França-Brasil. "Sobra dinheiro do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento ), que não está sendo utilizado por falta de projetos."

Ele assinalou que os últimos leilões de energia nova foram para termoelétricas, movidas a óleo e carvão, com geração de energia "suja". "A grande vocação do Brasil são as hidrelétricas."

Brasil, Estudos Unidos e Tailândia foram os países escolhidos para concentrar o interesse do grupo na estratégia de investimentos fora da Europa. Entre as razões para a opção pelo Brasil, o diretor destacou o respeito à regras. Em 12 anos, o grupo aumentou em 100% a sua capacidade de geração de energia no Brasil. Hoje, a sua capacidade é de 7.490 MW em operação e 4.500 MW em construção.

Com investimentos previstos no Brasil de R$ 6 bilhões no período de 2009 a 2011, entre eles a Usina de Jirau, no Rio Madeira, o grupo GDF-Suez agora está fazendo estudos para avaliar o interesse nos leilões para a construção de Belo Monte, Tapajós e Teles-Pires. "Esses projetos estão no nosso radar", disse.

Para ele, o processo de Belo Monte está caminhando bem e o leilão deve ocorrer ainda este ano, como previsto pelo governo. Segundo Maranhão, o grupo, mesmo com a crise, não interrompeu investimentos. "Nosso negócio é de longo prazo."

MAIS INVESTIMENTOS

A Rhodia, o Carrefour e a Leroy Merlin, outras três empresas de origem francesa que participaram do Fórum em Brasília, informaram que também não interromperam os investimentos após a crise. O presidente da Rhodia América Latina. Marcos de Marchi, informou que vai investir este ano R$ 50 milhões. Segundo ele, o volume não é tímido, levando-se conta o tamanho dos investimentos da empresa. "A crise não atrapalhou", afirmou.

Segundo o diretor-geral da Leroy Merlin, Alain Ryckeboer, a empresa, de varejo de produtos de construção civil, vai investir R$ 100 milhões este ano na abertura de três lojas, em Porto Alegre, Belo Horizonte e Niterói. A de Niterói, com inauguração prevista para o fim de outubro, será a primeira de varejo com certificação Aqua (Alta Qualidade Ambiental). ) Segundo ele, mesmo com a crise, a empresa tem observado crescimento nas vendas acima de 10% .

O Carrefour, com 553 lojas no Brasil, vai investir R$ 1 bilhão este ano na expansão de lojas. A meta é abrir 70. Segundo o diretor do Carrefour, Paulo Pianez, o grupo vai investir R$ 3 bilhões entre 2008 e 2010 no Brasil.

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