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GDM assume liderança em sementes de soja no País

Argentina deixou pra trás Bayer e assumiu liderança com 38% do mercado brasileiro

BroadcastAgro, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2019 | 05h00

A argentina GDM Seeds deixou para trás a Monsanto, hoje Bayer, e assumiu a liderança do mercado brasileiro de sementes de soja, com 38% do total. Ricardo Franconere, gerente de Marketing, atribui o desempenho à atenção dada exclusivamente ao desenvolvimento desse insumo, o que não acontece com as gigantes do setor, que têm em seu portfólio outros produtos além de sementes. A GDM comercializa no País as marcas Brasmax e DonMario e tem aqui 55% dos negócios globais da empresa. Em seguida vem a Argentina, com 40%. Os 5% restantes se distribuem pela América do Norte, Europa, África e outros países da América do Sul. Em 2018, sua receita no Brasil aumentou 28%, para R$ 280 milhões, enquanto a do setor como um todo avançou apenas 5%. Para 2019, a expectativa é crescer mais 10% e abocanhar 42% do mercado brasileiro.

Golias. Franconere afasta a ideia de que, a exemplo das concorrentes Bayer, Syngenta, DowDuPont e Basf, a GDM poderia se fundir. “Vemos posicionamento claro dos acionistas de que não estamos à venda, de consolidar a liderança no Brasil e avançar nos Estados Unidos e na Argentina.” 

Nova fronteira. A GDM concluiu neste mês a ampliação de seu laboratório em Londrina (PR), onde desenvolverá pesquisa em edição gênica, que altera genes da própria planta para torná-la resistente a pragas e doenças. “Ganharemos agilidade no processo de regulamentação nos países produtores e consumidores”, explica, em referência à costumeira demora na aprovação de transgênicos. 

Vilão. Pelo segundo ano consecutivo, os alimentos serão vilões da inflação. Quem diz é o BRP, banco vencedor em 2018 do ranking de previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de longo prazo do Banco Central. Nelson Rocha Augusto, presidente do BRP, aponta as causas: safra menor, pressão climática desfavorável em alimentos importantes, como arroz e feijão, e aumento de exportação de carnes, especialmente bovina e suína. O BRP projeta inflação de 4,05% em 2019, enquanto a maioria do mercado espera o indicador abaixo de 4%. 

Canetada. O Ministério de Minas e Energia deverá arbitrar até sexta-feira as discussões entre produtores de biodiesel e montadoras sobre o cronograma de aumento da mistura do biocombustível ao diesel de petróleo dos atuais 10% (B10) para 15% (B15) até 2023. Preocupadas com eventuais problemas que a mistura pode causar aos motores, as montadoras pediram mais tempo para os testes. Já produtores querem ampliar a oferta já. O aumento de B10 para B11 a partir de junho está ameaçado, caso haja risco de prejuízos ao consumidor, e pode ser adiado. Trata-se de um dos maiores testes do mundo e está sendo feito sem custo ao governo.

Azedou. A declaração de apoio da Sociedade Rural Brasileira (SRB) ao seu conselheiro, o deputado estadual Frederico D'Ávila (PSL), para presidir a nova frente parlamentar da agricultura na Assembleia Legislativa de São Paulo provocou uma crise. As outras 24 entidades que articulam, desde o ano passado, a criação da frente, trabalhavam para que Itamar Borges (MDB) fosse seu primeiro presidente. Borges vai para o terceiro mandato e é aliado histórico do agronegócio.

Recado. Apesar do apoio isolado da SRB, D’Ávila garante que terá o suporte político, com assinaturas de 20 deputados (só o PSL tem 15) de ao menos cinco partidos para criar e comandar a frente parlamentar. Mas, além das críticas à SRB, as entidades farão chegar ao deputado novato o recado de que, se ele insistir na ideia, não terá o suporte, principalmente técnico, do movimento. 

Pé na tábua. O Brasil está perto de se tornar o segundo maior exportador de algodão, atrás dos Estados Unidos. Para tanto, terá de embarcar cerca de 300 mil toneladas mais até junho, quando termina a atual temporada de vendas da pluma. O presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Henrique Snitcovski, conta que desde julho do ano passado o Brasil já exportou 800 mil toneladas e deve fechar fevereiro com embarques de 100 mil toneladas. 

Oportunidade. O aumento das vendas externas reflete a maior oferta nacional e a disputa entre EUA e China, que deslocou a demanda chinesa para o Brasil. A Anea prevê exportação de até 1,3 milhão de toneladas. Os EUA devem exportar 3,3 milhões de t, conforme o governo norte-americano.

Aposta. O laticínio Scala investirá R$ 30 milhões neste ano para aumentar em 50% a capacidade de produção da linha Parmesão e 30% da linha Requeijão. O aporte também será usado para lançar produtos. Para Marcel Scalon Cherchi, diretor executivo, o consumo de lácteos pode crescer, daí os aportes. Sem dar valores, Cerchi prevê que a Scala fature 20% mais em 2019. 

Melhor correr. O executivo da Scala defende para o setor um plano estratégico de médio e longo prazos. Assim, medidas como a recém-derrubada tarifa antidumping contra o leite em pó da Europa e Nova Zelândia teriam efeito menor. “Precisamos envolver toda a cadeia para mais eficiência e produtividade e sermos um player efetivo no mercado mundial.”

 

COLABORARAM ANNE WARTH, LETICIA PAKULSKI E NAYARA FIGUEIREDO

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