GE transfere investimentos dos EUA para expandir operação em Petrópolis

Unidade brasileira ganhou competitividade com a variação cambial, já que 95% da receita é em dólar, mas maioria dos custos é em real

Marina Gazzoni, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2015 | 02h03

A fabricante de turbinas de avião GE Aviation vai investir US$ 55 milhões na GE Celma, unidade de revisão e montagem localizada em Petrópolis (RJ), nos próximos três anos. O investimento foi anunciado esta semana e faz parte de uma estratégia da multinacional americana de expandir seus negócios fora dos Estados Unidos.

Cerca de 90% do montante será utilizado para a construção de um banco de testes do motor Genx, o modelo mais moderno da GE Aviation, utilizado, por exemplo, no Boeing 787 Dreamliner. A GE Celma começou este ano a revisar o motor, serviço que também pode ser feito na unidade do grupo da Escócia.

Cada turbina que sai da oficina é testada em um banco de provas, que simula o funcionamento de um avião e situações de estresse. A GE Celma já tem dois simuladores no Brasil - em Petrópolis e no Rio -, mas eles não são compatíveis com o novo motor. Hoje a companhia tem de enviar os Genx revisados no Brasil para fazer os testes no exterior e só depois entregá-los ao cliente.

A GE Celma está em fase de aquisição de um terreno para construir o banco de provas no município de Três Rios, a cerca de 40 km de Petrópolis. As obras começam no primeiro semestre de 2016 e devem ser concluídas até 2018. "Esse investimento nos deixará mais competitivos para revisar os modelos Genx no Brasil para o mundo inteiro", disse o presidente da GE Celma, Julio Talon.

Hoje a empresa leva em média 100 dias entre retirar a turbina no hangar do cliente e devolvê-la. Com a realização dos testes no Brasil, a companhia espera reduzir em pelo menos 15 dias esse prazo. Nas outras turbinas revisadas e testadas na oficina, o prazo de entrega médio da GE Celma é de 65 dias.

Conjuntura. De acordo com Talon, a empresa não está imune às turbulências da economia brasileira, já sente o impacto da inflação e do aumento dos custos de energia e também sofrerá com um eventual aumento da carga tributária. "Mesmo assim, o grupo decidiu investir no Brasil pelo histórico de competitividade da unidade brasileira, que tem o menor prazo de entrega do grupo, e porque sentimos menos a crise nacional, já que 95% da nossa receita vêm de clientes estrangeiros", disse.

Por ser essencialmente uma exportadora de serviços, a GE Celma está se beneficiando da alta do dólar. "A variação cambial não foi um fator de decisão do investimento, que mira o longo prazo. Mas ajuda a empresa, porque temos receitas em dólar e despesas em real, então ficamos mais competitivos para disputar contratos internacionais", disse Talon.

A companhia prevê revisar 400 turbinas em 2015 e faturar cerca de US$ 1,4 bilhão. Até 2020, a meta é chegar a 500 unidades revisadas por ano e abrir 200 vagas de emprego.

EUA. Um dos motivos que levam a empresa a investir fora dos Estados Unidos são as incertezas sobre o futuro do Banco de Exportação e Importação (Ex-Im Bank), que dá crédito subsidiado a clientes de empresas americanas. O Ex-Im Bank existe há 81 anos, mas parou de aceitar novos empréstimos em julho, quando expirou sua licença de operação. No mesmo mês, 64 senadores votaram por uma emenda para reabrir o banco, mas republicanos conservadores bloquearam a decisão.

Além do Brasil, a GE Aviation anunciou anteontem planos de expansão na Europa e no Canadá. Parte da produção nos Estados Unidos será transferida para a Europa, em um projeto que criará mil empregos e terá investimento de US$ 400 milhões.

"Em toda a companhia, a GE tem US$ 11 bilhões em oportunidades de vendas planejadas que exigem financiamento", disse David Joyce, presidente da GE Aviation. "As incertezas sobre o Ex-Im Bank exigem que companhias como a GE criem alternativas para concorrer internacionalmente.". / COM DOW JONES

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