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Geadas ameaçam safra de trigo do PR, maior produtor nacional

O Paraná, com potencial de colherpouco mais da metade da safra de trigo do Brasil em 2007, deveser atingido por geadas na quinta-feira, justamente em umperíodo em que as lavouras das principais regiões estãosuscetíveis a perdas pelo frio intenso, disseram especialistas. As geadas devem ainda se repetir na sexta-feira e no sábadono Estado, mas a área atingida seria menor, segundo mapasmeteorológicos do Simepar, o órgão do Estado encarregado defazer os prognósticos. De acordo com técnicos do Deral (Departamento de EconomiaRural), do governo do Paraná, aproximadamente metade dos 847mil hectares plantados no Estado está nas fases de floração efrutificação, que podem sofrer perdas, dependendo daintensidade das geadas. "Cerca de 50 por cento da lavoura está em fase suscetível,vai depender da extensão das geadas. Se ficar no centro-sul, nosul, não tem problema, mas se atingir o norte e oeste podeter", disse o técnico da Ocepar (Organização das Cooperativasdo Paraná) Robson Mafioletti, citando dados do Deral. Segundo Agenor Santa Ritta, agrometeorologista do Deral, astemperaturas poderão ser negativas em áreas mais ao sul doParaná, onde o trigo ainda está em desenvolvimento vegetativo,não-suscetível a geadas. Mas o frio deverá ser intenso tambémna região oeste, onde as plantações estão nas chamadas fasesreprodutivas. Em condições normais, o Paraná colheria cerca de 2 milhõesde toneladas, enquanto a safra brasileira está oficialmenteestimada em 3,83 milhões de toneladas --o Brasil consome cercade 10 milhões de toneladas ao ano e importa a maior parte desua necessidade. Na temporada passada, o Estado perdeu aproximadamentemetade da colheita por problemas de seca e, especialmente, porgeadas tardias, o que gerou uma escassez do grão no mercadointerno brasileiro. Isso, agora, tem obrigado o Brasil a importar mais trigo,buscando o produto até mesmo em origens não-tradicionais, comoEstados Unidos e Canadá, devido à baixa oferta na Argentina,tradicional fornecedor do país que também está na entressafra. No caso de as geadas prejudicarem a safra, a situação daoferta no Brasil tende a se apertar ainda mais, pois o Estadojá plantou menos trigo do que costuma --a área paranaense erade 1 milhão de hectares. Nesta ano, a segunda safra de milho(safrinha) avançou em áreas tradicionalmente tritícolas. MAIOR RISCO "Quando tem previsão de geada para o Estado, a região deCampo Mourão costuma ser atingida também", destacou a agrônomaMargorete Demarchi, do Deral, referindo-se a uma das principaisáreas produtoras, onde 80 por cento da safra corre risco. Campo Mourão plantou 90 mil hectares, ou pouco mais de 10por cento da área do Estado. Outras regiões tradicionais quepodem ser atingidas pelas geadas, segundo o Simepar, são: a deCascavel, com 75 mil hectares de trigo e a maior parte em fasessuscetíveis, e Toledo, com 72 mil hectares, onde 70 por centodas lavouras podem sofrer perdas. A agrônoma lembrou ainda que algumas áreas no norte doEstado já foram atingidas por uma seca por um períodoprolongado, antes das chuvas voltarem, o que já gerou perdas. No Rio Grande do Sul, segundo produtor do Brasil, compotencial para colher 35 por cento da safra brasileira, a maiorparte das lavouras está em desenvolvimento vegetativo.Portanto, sem riscos de ser atingida pelo frio.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

26 de julho de 2007 | 01h31

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