Geeks inspiram negócios e pequenos empresários lucram com games e super-heróis

É cult ser nerd, por isso, pequenos empreendedores aproveitam o momento para ganhar espaço e dinheiro

Gisele Tamamar, PME

30 de setembro de 2012 | 18h52

Eles gostam de super-heróis, histórias em quadrinhos, games, tecnologia, seriados e ficção científica. Não só gostam como especializaram-se nesses temas e, por causa disso, foram durante muito tempo ridicularizados. Atualmente, o cenário é outro. Os nerds ou geeks, como também são chamados, ganharam até um dia em sua homenagem (25 de maio) e movimentam um mercado lucrativo e que reserva espaço para pequenos negócios.

"Até existia uma vergonha. Agora, é comum vermos pessoas com camisetas de personagens (de histórias em quadrinhos) e óculos de aros largos (um dos estereótipos dos nerds). Não é mais vergonha, é bastante valorizado", avalia o professor de ciências da computação da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Edison Puig Maldonado, de 47 anos, considerado ele próprio um nerd nos anos 80.

O diferente virou cult e o interesse por objetos colecionáveis deste universo fez três amigos com formações diferentes unirem-se na criação da loja Limited Edition. O médico Stevin Zung, 38 anos, o publicitário Daniel Altavista, 37, e o graduado em educação física Rodolfo Balestero Pranaitis, 27, já colecionavam objetos de séries e desenhos quando transformaram o hobby em negócio. O trio investiu R$ 400 mil no local, especializado em produtos geek, fatura R$ 150 mil por mês, mas não consegue abrir mão do antigo hábito. "É até engraçado. Um pedaço dos pedidos acaba sendo pra gente", conta Pranaitis.

Fã de Cavaleiros do Zodíaco, Pranaitis comprou sua primeira peça com 21 anos. "Tem todo um lado nostálgico, que faz você lembrar da sua infância de maneira positiva", resume.

O espaço idealizado pelos amigos deixa qualquer fã desse universo fascinado. É possível encontrar desde um chaveiro do personagem Predador (R$ 10) a um busto do Capitão América que custa R$ 2.990. Um dos itens mais caros já comercializados foi uma réplica do personagem Homem de Ferro em tamanho real. O preço? R$ 29,9 mil.

Para atrair clientes, a loja tem como diferenciais oferecer produtos exclusivos e edições limitadas. O atendimento especializado também conta pontos com uma clientela pra lá de exigente. "Muitas pessoas passam horas na loja, gostam de pegar a peça, analisar, verificar se ela não tem falha na pintura ou conferir se a embalagem não está amassada", conta Pranaitis.

Variedade. O universo das histórias em quadrinhos e mangás é a especialidade da Comix. Com mais de 10 mil edições à disposição, a loja cresceu 20% nos oito primeiros meses do ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Filmes como ‘Os Vingadores’ e ‘Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge’ ajudaram nas vendas. "O lançamento de filmes e games traz um público novo para o mundo das HQs", afirma o sócio Jorge Freitas Rodrigues, 39 anos.

A Comix começou com uma banca de jornal há 26 anos – a loja foi montada em 1993 – e lida com as particularidades de cada cliente. É por isso que todos os exemplares estão ensacados, assim, os proprietários evitam reclamações. Quer dizer, algumas reclamações. Consumidores mais detalhistas costumam levar um esquadro à loja para que possam medir a lateral dos gibis, chamada de lombada. Outros compram dois exemplares – um para leitura outro para guardar.

Ficção. O tema Star Trek (Jornada nas Estrelas) também faz parte do mundo geek. E a loja USS Brazil é especializada no tema desde 1995. "Gostava das séries de televisão desde criança. E eu tinha um sonho de abrir um loja um dia", conta a sócia Elisa Pacce, 51 anos, que abriu o negócio com Ralfo Furtado, um amigo de trabalho. Mas engana-se quem pensa que o local recebe apenas fãs mais velhos do seriado. "Nosso cliente varia desde um garoto que nem os pais gostam do seriado até senhores. De juiz até office-boy", diz Elisa.

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