Geithner defende mais poderes para órgãos reguladores

Secretário do Tesouro dos EUA afirma que a proibição a produtos derivativos seria desnecessária

Danielle Chaves, da Agência Estado,

23 de setembro de 2009 | 13h04

O secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, afirmou durante audiência no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes que o governo norte-americano não precisa banir os credit default swaps (CDS), mas deve delegar poderes aos órgãos reguladores para evitarem manipulação nos mercados de derivativos.

 

Respondendo a uma pergunta da deputada Maxine Waters, democrata da Califórnia, sobre por que existem proibições a algumas vendas a descoberto mas não a CDS, Geithner afirmou que a proibição a produtos derivativos seria desnecessária e inapropriada.

 

Em vez disso, disse Geithner, a Securities and Exchange Comission (SEC, a CVM norte-americana) e a Comissão de Comércio de Commodities e Futuros (CFTC, na sigla em inglês) deveriam receber o poder de aplicar novas regras destinadas a impedir qualquer manipulação do mercado. Tais mudanças para os mercados de derivativos deveriam ser a peça fundamental dos esforços legislativos para reformar a regulamentação dos mercados financeiros, acrescentou.

 

Na audiência, Barney Frank, deputado democrata de Massachusetts que preside o Comitê de Serviços Financeiros, afirmou que a Câmara dos EUA vai agir agressivamente durante os próximos dois meses em um plano para reformar a regulamentação do sistema de serviços financeiros, visando as empresas "grandes demais para falir".

 

Segundo Frank, o Comitê vai começar a elaborar medidas para reforma regulatória peça por peça durante as próximas semanas. Até o Natal, acrescentou, ele espera não ter mais de pensar em muitas das questões que estão atualmente em estudo. Frank afirmou que uma medida importante será impedir que empresas cresçam demais e se tornem excessivamente importantes para o sistema. "Elas serão limitadas. Haverá restrições sobre alavancagem excessiva e restrições sobre atividades", disse Frank.

 

Os republicanos se concentraram em uma proposta para criação de uma agência de proteção financeira ao consumidor, argumento que Geithner defendeu em seu depoimento. "Sem uma forte estrutura de regulamentação, os bancos e outros fornecedores competem para tirar vantagem da confusão dos consumidores. Isso precisa terminar", disse. As informações são da Dow Jones.

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