Genéricos crescem 19% ao ano e atraem fabricantes estrangeiros

Apesar da crise, vendas batem recorde e levam laboratórios multinacionais a aumentar investimentos no Brasil

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

Há seis meses, o suíço Stefan Prebil, executivo da Sandoz, divisão de genéricos da farmacêutica Novartis, foi destacado para uma missão. Ele deixaria o comando de uma das mais importantes operações da empresa - em sua matriz, na Suíça - rumo ao Brasil, onde a Sandoz desembarcou há dois anos. A transferência de um dos mais altos diretores da multinacional para o País começa a fazer sentido quando se analisa o desempenho da empresa por aqui. Em dois anos, o mercado brasileiro passou de 13ª para 7ª posição entre os maiores da Sandoz. Desde janeiro, o segmento da empresa, de genéricos, cresceu 19% e movimentou perto de R$ 1 bilhão no País, segundo dados divulgados ontem. (veja texto ao lado)Voltar os olhos para os emergentes, como faz a Sandoz/Novartis, tem sido a estratégia de várias multinacionais do setor, que, tradicionalmente, sempre tiveram suas receitas ligadas aos mercados da América do Norte, Europa e Japão. O Brasil aparece de forma ainda mais clara no radar das empresas graças ao sucesso da indústria de genéricos, que cresce a dois dígitos há mais de cinco anos, após o governo ter regulamentado sua produção em 1999. Mas os genéricos não são o único motor desse movimento. "O mercado pouco explorado e mais estável e transparente que os de China e Índia faz com que o Brasil seja a bola da vez no setor", afirma Luís Madasi, líder de serviços para a indústria farmacêutica da PriceWaterhouseCoopers. Segundo ele, boa parte de população ainda tem pouco - ou nenhum - acesso a medicamentos no País. "Isso significa alto potencial de crescimento do mercado."Essa realidade pode facilitar a tarefa do novo presidente da Sandoz no Brasil: fazê-la crescer 30% este ano. Segundo Prebil, que passou os últimos meses estudando a língua portuguesa em um curso intensivo de fim de semana e visitando representantes do governo, parceiros e concorrentes, as perspectivas são animadoras. "O Brasil tem o maior mercado de genéricos na América Latina, economia estável e inflação sob controle", afirma. O executivo afirma que essas condições colocaram o País como prioritário entre os mercados emergentes em que a Sandoz atua, à frente de Rússia, Índia e China. A empresa tem urgência em expandir nesses mercados, já que cerca de 80% das vendas mundiais estão concentradas em países da Europa e Estados Unidos. "Com a crise, essa concentração não tem sido positiva."O Brasil já é o maior mercado entre os emergentes para a francesa Sanofi-Aventis. Há pouco mais de um mês, ela reforçou essa posição com a compra do laboratório especializado em genéricos Medley, de Campinas (SP). Até então, a companhia tinha uma participação residual no segmento, de 3%. Com a Medley, passou a 41%. De quebra, levou a liderança em faturamento entre as maiores farmacêuticas do País. "Os genéricos não vão parar de crescer tão cedo. Eles têm cerca de 15% do mercado no País e ainda podem atingir 30%", diz o diretor-geral da Sanofi-Aventis no Brasil, Heraldo Marchezini. Os franceses também planejam transformar a fábrica da Medley em plataforma de exportação para outros países, principalmente da América Latina. As exigências da legislação brasileira para o setor - "uma das mais avançadas do mundo", segundo o presidente da Medley, Jairo Yamamoto - faz com que os medicamentos produzidos aqui entrem com facilidade em outros mercados. ASSÉDIOA Medley foi a primeira a sucumbir ao assédio das estrangeiras. Desde a regulamentação do mercado de genéricos, as brasileiras deslancharam e assumiram, com folga, a liderança da indústria. Dos cinco maiores laboratórios farmacêuticos do País, três (EMS, Eurofarma e Aché) eram brasileiros e produtores de genéricos. A situação mudou com a venda da Medley para os franceses. Agora a tendência é que seus concorrentes se apressem para buscar posições no setor.A Sandoz não esconde que está com apetite para aquisições. "As nacionais dominam porque foram pioneiras no mercado e tiveram agilidade. Mas a tendência é a consolidação dos grandes ?players? e temos certeza de que estaremos entre eles", diz Stefan Prebil.

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