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Geólogos vêem reserva em Santos como possibilidade de nova província petrolífera

A descoberta de uma nova reserva anunciada nesta quarta-feira pela Petrobras na Bacia de Santos já é interpretada por geólogos como a possibilidade de uma nova província petrolífera na região, com elevado potencial de óleo leve e gás natural. Mesmo antes dos testes que a Petrobras ainda pretende continuar fazendo para comprovar a comercialidade da reserva, para os geólogos já ficam claras as perspectivas otimistas para a região.Segundo os especialistas, a reserva no campo BM-S-11 deve ter um mínimo total de 750 milhões de barris de óleo in sito, ou seja apenas um terço podendo ser recuperável segundo os padrões internacionais, para que ela seja "minimamente" comercial. Isso já daria ao campo um potencial superior ao de Golfinho, no Espírito Santo, que possui 200 milhões de barris recuperáveis e é hoje uma das prioridades da Petrobras na produção de óleo leve.Segundo o presidente da Associação Brasileira de Geólogos de Petróleo, Marcio Rocha Melo, a projeção de 250 milhões de barris é uma estimativa bastante conservadora, considerando o custo elevado de exploração na camada pré-sal - que deve ficar na casa dos US$ 35 a US$ 40 por barril - e uma margem de lucro de apenas US$ 1 por barril. "Tudo vai depender dos próximos testes que a Petrobras vai fazer para determinar o tamanho deste campo. Ele pode chegar a até mais de um bilhão de barris recuperáveis", estima.A interpretação, segundo o geólogo Giusepppe Bacoccolli, da UFRJ, é possível a partir dos volumes indicados pela Petrobras que foram obtidos a partir do primeiro poço. Segundo a estatal, a "alta produtividade" permitiu uma vazão de 4,9 mil barris e 150 mil metros cúbicos por dia.Apenas para se ter uma idéia, os primeiros poços nos campos de Jubarte e Cachalote, na Bacia do Espírito Santo - que indicaram uma nova província petrolífera - possuíam vazão de 2,5 mil barris por dia, e o maior poço já perfurado no Brasil, no campo de Marlim, possui vazão de 10 mil barris por dia.Segundo Bacoccolli, o próximo passo da estatal é delimitar o campo para "entender" a extensão da reserva. Mas ele lembra que a perspectiva de produção é para algo em torno de quatro a cinco anos, no mínimo. Nova fronteiraO principal ponto destacado por geólogos na descoberta da nova reserva na Bacia de Santos é o fato ela estar situada dois mil metros abaixo da camada de sal, na chamada área "pré-sal". Este fator, para os geólogos, abre uma nova fronteira exploratória, com possibilidades "inimagináveis" de elevar as reservas nacionais de óleo e gás natural até para o dobro do comprovado hoje."Até bem pouco tempo atrás ultrapassar a camada de sal - uma espécie de isolante que fica abaixo das reservas conhecidas - era um tabu. Primeiro porque não havia tecnologia suficiente, segundo porque os custos eram estratosféricos e o preço do barril de petróleo ainda não pagava o suficiente para esta aventura. Mas agora todos estes fatores sofreram alterações", argumentou Bacoccolli.Segundo o presidente da ABGP, o principal fator que modificou a percepção destes reservatórios tão distantes foi a melhora da tecnologia e a alta do valor do petróleo que começou a compensar investimentos feitos nestas regiões. Apenas para se ter uma idéia, a perfuração de um poço na camada pré-sal pode representar um total de investimentos de US$ 110 milhões.Outro aspecto interessante, destacado por Melo, é que até há pouco tempo pensava-se que as elevadas temperaturas eliminassem o óleo e somente o gás pudesse ser encontrado abaixo da camada de sal. "Mas descobriu-se que o sal é um condutor de temperatura preservando o óleo lá embaixo", analisou.Ele ainda acredita que com o tempo o custo de perfuração nestas áreas deverá cair. "Até poucos anos atrás, perfurar um poço na Amazônia consumia US$ 40 milhões, hoje este custo já está em US$ 4 milhões. Com o avanço da técnica, o custo cai e torna mais viável a exploração em áreas de acesso difícil". Para o ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), John Forman, o anúncio da descoberta da Petrobras abaixo da camada de sal na Bacia de Santos vem confirmar o desenho de um novo modelo geológico para a exploração de petróleo e gás no país. "Está se comprovando agora o que muito se falou, de que teríamos bacias petrolíferas abaixo das já conhecidas, com excelentes potenciais de óleo leve e gás", comentou, salientando que a vantagem é que, enquanto anteriormente estas reservas eram quase inatingíveis, consideradas de alto risco, agora "começam a fazer sentido".Forman acredita que esta descoberta da Petrobras deverá valorizar os campos existentes ao em torno do BM-S-11, onde foi localizada a reserva, e também os blocos que serão disponibilizados na Bacia de Santos pela ANP no próximo round. "As perspectivas são as melhores possíveis", disse.O campo BM-S-11 está localizado no sudeste da Bacia de Santos, cercado pelos blocos S-10, S-9 (que também já teve uma perfuração bem sucedida na camada pré-sal) e S-24, todos da Petrobras com parceiros, além do S-518, da Shell. O campo também se situa ao sul do BS-500, no qual a Petrobras está colocando todas as suas perspectivas de produção de gás.Reserva maiorA descoberta de reservas de óleo leve e gás natural ressuscitou entre geólogos discussões a respeito das acumulações existentes abaixo da Bacia de Campos. "É possível que tenhamos lá uma reserva ainda maior do que a própria Bacia de Campos, responsável hoje por 80% da produção nacional", disse Melo. Segundo ele, o potencial abaixo da Bacia de Campos só não estaria sendo explorado ainda porque a Petrobras estaria priorizando localizações com maior potencial de gás natural, no caso a Bacia de Santos, para atender ao déficit de demanda que projeta para o futuro. "É uma decisão estratégica da empresa", argumentou. Para ele, entretanto, as reservas abaixo da Bacia de Campos podem ter um potencial bastante elevado, porque devem conter óleo de qualidade melhor, considerado mais leve. "Na teoria, o óleo leve está concentrado abaixo da camada de sal e só quando a ultrapassa, por alguma falha na porosidade desta camada, é que entra em contato com a água doce e bactérias, se tornando mais pesado. Ou seja, se atingirmos o que está lá embaixo teremos um óleo melhor", comenta.Matéria alterada às 17h44 para acréscimo de informações

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