Geração de emprego cai pela metade em um ano, segundo o Caged

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelaram que em maio o saldo líquido de vagas criadas no país foi de 139.679, o pior resultado para o mês desde 2009 

Célia Froufe,da Agência Estado,

21 de junho de 2012 | 14h10

O saldo líquido de empregos criados com carteira assinada no Brasil foi de 139.679 em maio, segundo informou o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Este foi o pior resultado para o mês desde 2009. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelaram que foram contratados 1.785.075 trabalhadores no quinto mês do ano e 1.645.396, desligados. Em abril, o saldo líquidos de vagas criadas havia ficado em 216.974.

Também houve uma queda de 51,62% na geração de empregos em maio em comparação ao mesmo mês do ano passado, quando foram criadas 288.749 vagas formais.

O resultado divulgado pelo MTE veio abaixo das estimativas coletadas pelo AE Projeções com 12 instituições do mercado financeiro. O grupo projetava um total de 150.000 a 235.000 novos postos de trabalho no mês passado. Com base neste intervalo, a mediana ficou em 200.000.

A geração de empregos formais em maio foi a pior para o mês desde 2009, quando foram criados 131.557, considerando a série do Ministério do Trabalho que leva em conta os dados sem ajustes. Considerando esse histórico, que não acrescenta as informações declaradas pelas empresas fora do prazo, houve um recuo de 44,58% na geração de empregos na comparação com o mesmo mês de 2011. Na ocasião, o volume ficou em 252.067, sem considerar a série ajustada.

Agricultura

A agricultura foi o destaque da geração de empregos com carteira assinada no mês de maio, superando, inclusive, o setor de serviços, que costuma ser o líder das contratações. O resultado geral do mercado, porém, foi influenciado negativamente pela indústria, que desacelerou as contratações.

A agricultura foi responsável pela criação de 46.261 vagas formais no mês passado. De acordo com o MTE, o bom dinamismo do setor está associado a fatores sazonais que incidiram sobre a Região Sudeste em maio, principalmente em relação ao cultivo de café e de cana-de-açúcar.

Para se ter uma ideia, a plantação de café foi responsável pela criação de 25.995 postos de trabalho em maio, com destaque para Minas Gerais (17.338), São Paulo (4.187) e Espírito Santo (2.909). Já a cana-de-açúcar contratou 12.250 trabalhadores com carteira assinada no mês passado, dos quais 8.893 postos foram em São Paulo. No cultivo de laranja, a absorção de mão de obra ficou positiva em 5.281 postos, a maioria também em São Paulo (4.218).

Por outro lado, o cultivo de frutas de lavouras permanentes demitiu 2.932 pessoas a mais do que contratou. Os Estados que mais sentiram o movimento foram Rio Grande do Sul (-2.076) e Santa Catarina (-1.866).

Indústria e serviços

A combinação de desaceleração da criação de postos de trabalho formal nos setores da Indústria e dos Serviços foi responsável pela diminuição da geração de vagas em maio. A Indústria registrou uma "modesta elevação" de 20.299 postos. Já os serviços criaram 44.587 vagas, muito abaixo do resultado visto em abril, de 82.875, sem ajuste.

As principais quedas da indústria foram vistas nos ramos de material de transporte (-3.300 postos), calçados (-2.248) e metalúrgica (-999). Contribuíram para o resultado positivo os setores de alimentos (17.856), químico (6.781), borracha, fumo e couros (1.975), têxtil (840) e minerais não metálicos (669).

Já o setor de serviços foi influenciado positivamente pelos segmentos de alojamento e alimentação (10.212), médicos e odontológicos (9.024), comércio e administração de imóveis (8.968), transportes e comunicações (8.539) e ensino (7.107). Apesar do desempenho fraco no mês passado, em todos os ramos de atividade houve crescimento do volume de empregados com carteira assinada.

No caso da construção civil, houve geração de 14.886 postos formais de trabalho, enquanto o comércio foi responsável pela criação de 9,749 vagas. A administração pública contribuiu com um saldo líquido de 2.660 contratados.

 

 

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