Gerdau ataca ideia de criação de imposto

Para o empresário, nível atual da carga tributária do País impede que se pense em novo CPMF

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2011 | 03h05

O empresário Jorge Gerdau Johannpeter atacou ontem a ideia de criação de um tributo para financiar a saúde pública. "A carga tributária do País já tem um nível que não se deveria estar pensando em novos impostos. Ao contrário", afirmou, após reunião da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade no Palácio do Planalto.

"Filosoficamente, sou contra qualquer tipo de aumento de imposto até que eu tenha condições de dizer assim: esgotei a minha melhoria de gestão." Gerdau ressaltou que a própria presidente Dilma já se posicionou contra um novo imposto. Ele foi lembrado, então, que Dilma também disse que não basta gestão, é preciso dinheiro.

"O aumento de geração de recursos dos tributos tem sido significativo pelo seu crescimento e desenvolvimento", comentou o empresário. "Então, é preciso gerenciá-lo." Para o empresário, um novo tributo nos moldes da extinta Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF) teria ainda o defeito de ser cumulativo, o que prejudica a competitividade.

"Toda vez que se cria um imposto cumulativo você está beneficiando importadores ou a produção externa, em vez de estimular a competitividade da produção interna." Ele admitiu que, se fosse para fazer um programa ideal de saúde, seria preciso gastar todo o Produto Interno Bruto (PIB). "Então, é preciso fazer macropolíticas para atender melhor os mais necessitados e gerenciar o processo de busca de eficiência." Só depois de esgotado o espaço de melhoria na administração dos recursos é que se deveria discutir uma nova fonte de financiamento, defendeu.

"Outros países do mesmo nível de desenvolvimento do País têm hoje cargas tributárias abaixo de 30% ou 25% (do PIB) e o Brasil tem hoje carga próxima de 40%", disse o empresário.

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