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Gerdau espera retomada de mercado brasileiro só em 2016 e aposta nos EUA

Siderúrgica refaz as contas em função da piora de setores como o automotivo, construção e máquinas; apesar do cenário, companhia não tem planos de desligar altos-fornos

ALTAMIRO SILVA JUNIOR, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2015 | 02h04

NOVA YORK - Por conta da atividade econômica enfraquecida e do cenário ainda incerto no curto prazo, a Gerdau só espera alguma retomada da demanda por aço no Brasil em 2016. Diante disso, a aposta é no crescimento dos pedidos nos Estados Unidos, considerado hoje pela siderúrgica o melhor mercado para o segmento no mundo.

A afirmação foi feita ontem pelo presidente da companhia, André Gerdau Johannpeter, em entrevista na sede da Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), onde a empresa brasileira fez evento fechado para cerca de 100 investidores e analistas.

Quando a Gerdau divulgou o balanço do primeiro trimestre, com lucro em queda anual de quase 40%, a expectativa da companhia gaúcha era de que a demanda por aço no Brasil fosse apresentar alguma recuperação a partir do segundo semestre, mas a expectativa não deve se confirmar.

"Desde nosso anúncio de resultados, a situação no País não melhorou e até alguns números pioraram em determinados setores, como automotivo, construção, máquinas e equipamentos", disse Johannpeter. "O que se esperava para o segundo semestre pode ser que só aconteça no ano que vem", ressaltou. "Neste momento estamos com PIB (Produto Interno Bruto) negativo, inflação em 8,5% e juros subindo. É um cenário de contenção."

Enquanto a situação piora no Brasil, as perspectivas para os Estados Unidos, mercado que representa 40% da capacidade instalada da Gerdau, são bem melhores. "A América do Norte é nosso melhor mercado hoje", disse o empresário, destacando que isso mostra a estratégia acertada da empresa de buscar maior diversificação geográfica das operações. A companhia opera em 29 Estados dos EUA e ainda tem negócios no Canadá, com um total de 11 mil funcionários na região e mais de 100 unidades, incluindo usinas e fábricas.

No mercado americano, um dos setores que mais crescem é o de construção comercial, como prédio de escritórios e shoppings, que demanda bastante aço. Além disso, as vendas de veículos, ao contrário do Brasil, têm batido recordes mensais.

Altos-fornos. Apesar da demanda fraca esperada para este ano no Brasil, a Gerdau não tem planos por enquanto de desligar altos-fornos, como fez a concorrente Usiminas, que desligou nas últimas semanas dois fornos para ajustar sua produção à piora do mercado de aço no País, no que é considerada por empresários do setor a pior crise desde 2009.

A companhia gaúcha já fez um ajuste no fim de 2014, quando desligou dois fornos elétricos no Paraná e na Bahia e também houve corte de funcionários em algumas unidades e férias coletivas, disse o vice-presidente executivo de Finanças e diretor de Relações com Investidores da companhia, André Pires de Oliveira Dias.

A siderúrgica afirmou que está "bastante seletiva" nos gastos com investimentos e mantém na gaveta o plano de aumentar a capacidade instalada de produção de 11,5 milhões de toneladas de minério de ferro. A empresa está produzindo entre 7 milhões e 8 milhões. Segundo o presidente, o plano era elevar essa capacidade para 18 milhões e em seguida para um nível ainda mais alto. "Estamos segurando diante desse cenário. Estamos revisando nossos negócios e ajustando à realidade global", disse Johannpeter. Para a companhia, o desafio é ter disciplina forte nos investimentos e redução de custos e de despesas administrativas.

Pacote. O plano de investimento em infraestrutura, anunciado nesta semana e que prevê projetos de R$ 198,4 bilhões até 2018, foi um dos poucos fatores considerados positivos para o setor de siderurgia e mineração e para a economia brasileira no geral. "Vemos com bons olhos. A infraestrutura é consumidora direta do aço. O anúncio vem em um bom momento, porque estamos precisando reativar a economia e um plano desse pode ter impacto positivo", afirmou Johannpeter.

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