Gerdau: preocupação de siderúrgicas é com exportação

O presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, disse hoje, durante discurso na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que a grande preocupação do setor siderúrgico é conseguir exportar. Segundo ele, o setor tem hoje uma capacidade instalada 100% maior que a demanda interna. "Isso significa que temos de fazer um esforço enorme para aumentar as exportações", afirmou Gerdau. No entanto, segundo ele, há uma sobra de produtos siderúrgicos no mercado internacional. Atualmente, de acordo com o executivo, a produção mundial é de 1,9 bilhão de toneladas, enquanto a demanda é de 1,3 bilhão de toneladas, o que significa que há uma sobra na oferta global.

RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

09 de dezembro de 2009 | 11h45

Gerdau destacou que metade da capacidade instalada no mundo está em países com quem o Brasil precisa competir, como China e Índia. Por isso, segundo ele, o setor tem insistido na necessidade de discutir o tema da competitividade. Ele criticou a carga tributária no Brasil, principalmente sobre as exportações, e a desvalorização do dólar ante o real. "Nossas cadeias produtivas estão muito vinculadas ao dólar", afirmou o empresário. "Enfrentamos dificuldades de competitividade por causa do dólar."

Ele lembrou que hoje 25% do setor industrial está vinculado à exportação e defendeu a necessidade de correções estruturais e tributárias para o setor exportador. "O País não sabe pelo seu sucesso financeiro que estamos perdendo espaço ou não sabe o que o Brasil poderia ser", disse. Gerdau disse que o setor da construção civil foi o que melhor respondeu às medidas de estímulo do governo, aumentando o consumo de produtos siderúrgicos. Segundo ele, houve também melhoria no setor automotivo, mas a queda nas exportações de veículos prejudicou a recuperação.

O empresário afirmou que o setor de bens de capital (máquinas e equipamentos) é o que está mais atrasado na recuperação econômica. No entanto, por causa das medidas do governo, já se nota uma melhora importante nos últimos meses. Gerdau disse que o setor siderúrgico precisa de demanda e não de injeção de dinheiro. Ele disse que os principais desafios da siderurgia são manter a capacidade instalada maior que a demanda interna; reduzir as proteções aduaneiras em diversos países - o que, segundo ele, será um desafio para o Itamaraty; zerar impostos para as exportações; e promover mudanças na lei trabalhista. "Achamos que é preciso menos lei e mais negociação", disse. Gerdau é o primeiro empresário do CDES a discursar na reunião de hoje, que acontece no Itamaraty.

Suzano

O vice-presidente corporativo da Suzano, Daniel Feffer, cobrou hoje do governo, na reunião do CDES, a melhora no ambiente de negócios do País. Segundo ele, é preciso melhorar a competitividade da indústria nacional por meio da redução da carga tributária sobre o trabalho e sobre a produção. De acordo com Feffer, a gestão empresarial no Brasil é boa, mas há um problema sistêmico de falta de competitividade. Ele também fez, de passagem, uma crítica ao câmbio valorizado, mas afirmou que o Brasil fez o dever de casa e, por isso, sofreu menos na crise. O executivo defendeu ainda o investimento em educação e uma política de estímulo aos investimentos.

Tudo o que sabemos sobre:
CDESreuniãoGerdauSuzano

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.