Gerdau vai investir 17,4% menos em 2015

Esse é o terceiro ano consecutivo em que a siderúrgica gaúcha reduz investimentos

FERNANDA GUIMARÃES , O Estado de S.Paulo

05 de março de 2015 | 02h02

A siderúrgica Gerdau vai reduzir investimentos pelo terceiro ano consecutivo. A companhia planeja investir R$ 1,9 bilhão em 2015, o que representa uma queda de 17,4% em relação aos R$ 2,3 bilhões investidos no ano passado, montante que acabou ficando longe do previsto inicialmente. Se o montante se confirmar até o fim do ano, esse será o menor investimento anual da companhia gaúcha desde 2010, ano em que o aporte foi de R$ 1,2 bilhão.

No momento, a empresa está usando 70% de sua capacidade instalada - porcentual que o presidente André Gerdau Johannpeter considera adequado para o cenário atual. Ele não descarta, no entanto, novos ajustes no caso de haver uma deterioração. Por enquanto, não há previsão de fechamento de unidades ou de redução do quadro de funcionários. Em 2014, a Gerdau encerrou operações e demitiu.

O controle de custos e a redução de investimentos foram movimentos bem recebidos pelo mercado. No pregão de ontem, os papéis da empresa registraram uma valorização de 4,51%.

Mas as expectativas da siderúrgica para 2015 seguem pessimistas. Johannpeter diz que a demanda por aço seguirá enfraquecida, com setores consumidores de aço, como o de construção e automotivo, afetados pela ausência de crescimento da economia brasileira.

Segundo o executivo, os efeitos da operação Lava Jato afetam também o segmento. "Na medida em que o processo de investigação afeta as construtoras e projetos, afeta o consumo de aço, mas é difícil dizer quanto", destacou.

Resultado. No ano passado, a Gerdau viu seu lucro líquido cair 12,2% para R$ 1,488 bilhão. Também refletindo a deterioração do mercado, com menor demanda, as vendas de aço pela Gerdau chegaram a 17,869 milhões de toneladas, queda de 3,5% na comparação com 2013. Já a receita liquida somou R$ 42,546 bilhões em 2014, aumento de 6,7%. O resultado apresentado pela companhia veio acima do esperado pelo mercado, segundo levantamento feito pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, com instituições financeiras.

"As iniciativas de redução de custos da administração no Brasil parecem estar dando resultado e acreditamos que este efeito pode compensar parcialmente as perspectivas sombrias de demanda para este ano", frisam os analistas Leonardo Correa e Caio Ribeiro, em relatório do BTG Pactual.

Na operação brasileira, que não inclui aços especiais, a margem Ebitda, que é um indicador de rentabilidade, ficou em 20,3% nos últimos três meses do ano, ante 16,5% no trimestre anterior. "Apesar de toda a preocupação de um declínio estrutural da rentabilidade no Brasil, a Gerdau foi uma surpresa positiva. O resultado impressionou", destacaram os analistas.

Mineração. Nos últimos anos, a Gerdau decidiu ampliar sua presença no mercado de minério de ferro, mas no fim do ano passado deu um passo atrás com o intuito de adequar sua operação ao atual cenário dos preços da matéria-prima no mercado internacional. Só em 2014 o preço do minério de ferro caiu pela metade, situação que vem prejudicando a rentabilidade das minas brasileiras, especialmente das que não têm logística integrada, como é o caso da Gerdau.

Segundo o presidente da siderúrgica, a produção de minério de ferro pela Gerdau deve seguir focada no abastecimento da usina de Ouro Branco (MG), diante dos baixos níveis dos preços no mercado internacional da matéria-prima.

A Gerdau ainda não possui uma nova meta para sua produção de minério de ferro. No ano passado, diante da derrocada dos preços do minério, a companhia disse que revisaria a meta de alcançar uma capacidade de 18 milhões de toneladas em 2016 e de 24 milhões de toneladas em 2020, frente a capacidade atual de 11,5 milhões de toneladas. Em 2014 a produção de minério de ferro pela Gerdau atingiu 7,623 milhões de toneladas, aumento de 36,5% em relação a 2013.

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