Reuters
Reuters

Gerdau vende unidade na Espanha

Frente à crise de excesso de capacidade produtiva global do setor, siderúrgica se desfaz de ativos de baixo retorno para ganhar competitividade

O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2016 | 23h00

Em meio ao plano de se concentrar em empresas com maior rentabilidade, a Gerdau anunciou nesta sexta-feira, 20, a venda de sua unidade produtora de aços especiais na Espanha por 155 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 615 milhões. Além desse valor, a companhia poderá receber 45 milhões de euros adicionais ao fim de cinco anos, a depender do desempenho do negócio. A venda já era esperada desde o ano passado pelo mercado.

A unidade produtiva foi comprada pelo grupo de investimentos Clerbil, formado por executivos locais da unidade vendida e pelo atual presidente-executivo da operação, José Jainaga. Segundo a Gerdau, a empresa, que voltará a operar sob a marca Sidenor, tem capacidade instalada de 1 milhão de toneladas por ano. Com fábricas no País Basco, em Cantabria e na Cataluña, a empresa é voltada principalmente para a indústria automotiva.

O objetivo da venda, segundo o diretor-presidente da Gerdau, André Gerdau Johannpeter, é reforçar os negócios principais da siderúrgica. “Frente aos desafios globais da indústria do aço, estamos buscando gerar mais valor de mercado e ampliar a competitividade de nossas operações, mantendo o endividamento sob controle”, disse ele, em nota.

Johannpeter explicou que a venda na Espanha vai ajudar a Gerdau a focar-se em seus negócios de maior rentabilidade. A expectativa é que a transação, sujeita à análise de autoridades concorrenciais espanholas, seja concluída até julho.

O anúncio da venda ocorre na mesma semana em que a Polícia Federal indiciou 19 pessoas, incluindo executivos da Gerdau, em consequência da Operação Zelotes, que investiga suspeitas de manipulação de julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

Revisão. Há alguns meses, a companhia brasileira anunciou um plano para revisão de todas as suas operações, em meio à crise de excesso de capacidade produtiva global do setor siderúrgico, que tem afetado grupos no Brasil e no exterior.

Para analistas, a operação é positiva, pois está alinhada com a estratégia da companhia de vender ativos com baixo retorno, além de melhorar o balanço, com redução da alavancagem. “Enquanto ainda há algumas questões sobre o valuation (avaliação) a considerar, nós avaliamos como um passo na direção certa da Gerdau. Uma boa notícia em um momento difícil para a companhia”, escreveram os analistas do BTG Pactual, Leonardo Correa e Caio Ribeiro, em relatório enviado ao mercado. A transação também alivia preocupações em relação ao balanço, de acordo com o banco.

O Itaú BBA também considerou que a notícia tem impacto positivo sobre as ações. “Na nossa visão, a venda do ativo já era esperada, mas era incerto quando aconteceria. Nós notamos que a empresa tem tido sucesso ao implementar medidas para reduzir o capex (dinheiro despendido na aquisição ou melhorias de equipamentos) e opex (custo associado à manutenção dos equipamentos), e liberar o capital de giro, reduzindo os riscos de alavancagem”, avaliou o banco, em comentário assinado pela equipe de análise.

O Itaú BBA projeta que a alavancagem da Gerdau, medida pela relação dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), possa cair para 3,6 vezes em 2016, ante 4,2 vezes em 2015, beneficiada pelo positivo fluxo de caixa livre e valorização do real. O Credit Suisse projeta que a transação provocará redução da dívida líquida de cerca de 2%, ou R$ 420 milhões.

No fim do pregão de ontem, as ações preferenciais da Gerdau fecharam em alta de 2,47%, cotadas a R$ 5,81. / MARCELLE GUTIERREZ, COM REUTEURS

Notícias relacionadas

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.