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Gerenciar expectativas é o maior desafio de Lula, conclui Fórum

O gerenciamento das expectativas da população será um dos principais desafios do futuro governo Luiz Inácio Lula da Silva, segundo opinaram em pesquisa interativa 70% dos participantes do seminário que reuniu hoje pela manhã, no Rio, lideranças empresariais, consultores e autoridades, durante a primeira cúpula empresarial latino-americana do World Economic Forum (WEF). A pesquisa demonstrou que 76% dos presentes estavam entre muito otimistas e otimistas com as perspectivas do País no futuro governo e 85% disseram acreditar que o Brasil não dará calote nos organismos multilaterais. Apenas 15% consideraram que existe o risco de uma moratória no próximo governo. "O momento (para o Brasil) é cheio de possibilidades e existem probabilidades de que algo novo venha a surgir. Um novo modelo, e não aquela ortodoxia ou heterodoxia (econômica) tradicional", disse David Rothkopf, principal executivo da norte-americana Interbridge Corporation e mediador do debate, onde se traçaram cenários para o Brasil e para a América Latina, num momento de "encruzilhada" econômica mundial. Resolver Previdência é crucialAlém da administração das expectativas da população, os participantes do seminário - entre eles Stephen Kanitz, Henrique Meirelles, Pedro Moreira Salles, Rodrigo Mesquita, Paulo Leme, Horacio Lafer Piva, Luis Fernando Furlan, Cesar Maia - destacaram a realização de reformas entre os desafios que o futuro governo terá que enfrentar."A reforma da Previdência Social é chave para o sucesso do próximo governo", disse Rodrigo Mesquita, diretor da Agência Estado. Para ele, se o presidente eleito tiver coragem de levar adiante a reforma previdenciária poderá, inclusive, entrar para a história do País como um estadista. "Para fazer outras reformas, é crucial resolver o problema da Previdência. Não é que não se possa fazer o resto, mas, se o novo governo não fizer a da Previdência, nada terá sentido", afirmou Mesquita. Por isso, acrescentou, está ?desconfiadamente otimista".O consultor Stephen Kanitz, a exemplo dos demais participantes, concordou com a análise do diretor da Agência Estado. "Se essa reforma não for feita, será uma armadilha para o próximo governo, já que, dentro do PIB, será crucial também para o crescimento econômico do País", afirmou. Equipe, questão fiscal e jurosO prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, disse que o nó no Brasil é a questão fiscal. "Será uma questão de vida ou morte", afirmou o prefeito. Para ele, se Lula tiver condições de transformar o passado (radical) no presente (moderado), é possível traçar um cenário positivo para o País. Para Pedro Moreira Salles, presidente do Unibanco, a questão fiscal também é fundamental, mas acrescentou que o novo governo terá de reduzir a taxa de juros de forma acelerada. Salles considera também fundamental que Lula indique de imediato sua equipe econômica e o presidente do Banco Central. "O mercado não vai dar ao novo governo muito espaço de manobra", afirmou. David Konzevik, presidente da consultora mexicana Konzevik e Associados, emendou que Lula já conquistou o primeiro tipo de eleitores e agora precisa conquistar o segundo tipo (os voláteis, os investidores). "É preciso recuperar a confiança dos investidores dentro e fora do País e só depois pensar nas questões sociais", recomendou. O analista mexicano encerrou sua participação provocando gargalhadas ao afirmar que "o poder é como o violino, pega-se com a mão esquerda, mas toca-se com a mão direita".

Agencia Estado,

21 de novembro de 2002 | 14h38

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