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Gestão de 'aparência' não é o bastante

Líderes de organizações debatem como a adoção real de boas práticas de governança pode mitigar riscos em fusões e aquisições

O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2015 | 02h06

Diante do cenário instável da economia, o mercado de fusões e aquisições atingiu cifra recorde em 2014. As operações somaram quase R$ 193 bilhões, um crescimento de 16,6%, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Segundo Gustavo Sardinha, advogado e sócio da Hanum Corporate Legal Advisers, o primeiro trimestre de 2015 acenou para uma continuação desse movimento de alta.

Diante das oportunidades, o advogado diz que as empresas têm muito a ganhar adotando práticas de governança, pois, assim, darão "maior liquidez aos seus ativos".

Diretor do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), Rogério Hernandez Garcia afirma que empresas que passam por auditoria externa tendem a avançar mais rapidamente nos processos de fusões e aquisições.

Na visão de Garcia, ao se deparar com uma empresa com demonstrações contábeis auditadas, "o investidor assume uma expectativa positiva e confere um grau diferenciado de confiabilidade ao negócio".

A simples existência de uma política de governança corporativa não assegura, entretanto, que ela seja praticada de fato, alerta Robertson Emerenciano, sócio do escritório Emerenciano, Baggio e Associados.

Segundo o advogado, a companhia que está realizando a fusão ou aquisição pode sofrer graves perdas financeiras ou danos à imagem se não acompanhar a eficiência das práticas de governança da outra empresa envolvida no negócio.

Como a Lei Anticorrupção prevê a responsabilidade sucessora - uma empresa compradora pode ser responsabilizada por atos cometidos por uma companhia adquirida -, Trevor Schumacher, sócio da consultoria Deloitte, defende que a avaliação de risco de corrupção é fundamental.

"É sempre melhor descobrir e mitigar potenciais problemas antes de fechar uma negociação", afirma.

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