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Gestão de dados eficiente gera valor para companhias

Percepção das empresas do País sobre o potencial da informação, porém, ainda é incipiente, alertam especialistas

IAN CHICHARO GASTIM, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2015 | 02h03

O volume de dados armazenados em empresas cresce vertiginosamente todo ano. Saber lidar com as informações - e transformá-las em dinheiro -, porém, constitui um grande desafio para companhias, apontam especialistas.

De acordo com levantamento da HP Autonomy, o armazenamento de dados corporativos cresce em média 60% por ano. A necessidade de ser produtivo com essas informações é vital para se gerar valor com base em dados armazenados.

"Uma gestão eficiente deixa a companhia apta para entender melhor seus consumidores e o que deve ser feito estrategicamente para o negócio", diz Joe Garber, vice-presidente de Governança da Informação da HP.

Diretor de Estudos Técnicos no Brasil da Data Management Association (DAMA), Bergson Lopes Rêgo, também enxerga vantagens para a empresa que tem uma gestão de informação alinhada com a estratégia do negócio da companhia. "Essa capacidade se reflete na agilidade da empresa em se antecipar aos seus concorrentes."

Segundo Joe Garber, uma gestão inadequada de dados, porém, pode causar um aumento de custos para a companhia. "Cada gigabyte de dados armazenados pode custar até US$ 25 para uma empresa, o que é um valor significativo, quando falamos em terabytes de informação", afirma.

Além da capacidade de gerar valor e reduzir custos de armazenamento, a governança de dados também pode contribuir para o compliance da empresa, aponta o Diretor da Upper West Soluções Consultores em Data Analytics, Dan Reznik. "Em um banco, por exemplo, pode-se estabelecer um sistema de dados que gere notificações tão logo aconteçam deslizes de compliance." Dessa forma, é possível diminuir gastos com processos e erros, dentre outros fatores: "É importante achar a fonte de benefícios que a gestão de dados pode trazer."

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Pesquisa da HP indicou que 25% das empresas consideram ‘descarte de dados’ o aspecto mais desafiador de gestão; de 40% a 70% das informações podem ser elegíveis para descarte
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Nesse contexto, Joe Garber, da HP, afirma que o principal desafio da gestão de dados atualmente em uma empresa é conseguir acessar e entender toda a sua informação. "Entender o conteúdo, especialmente de informações não estruturadas, é uma tarefa complicada."

Brasil. Apesar do tema ter crescido em importância no País nos últimos anos, a questão da governança de dados ainda é problemática nas empresas brasileiras. PhD em Segurança da Informação, Paulo Pagliusi afirma que as companhias nacionais precisam mudar sua cultura sobre a gestão de dados.

"As empresas devem quebrar preconceitos e começar a entender que a área de TI não é só uma questão puramente de tecnologia, é também um negócio", afirma. "A companhia deve estar aberta ao imenso potencial de valor, de monetização, existente na informação."

Reznik, da Upper West, também vê as empresas brasileiras em estágio incipiente na governança: "Noventa e cinco por cento precisam fazer um trabalho de base na gestão de dados".

Big Data. Quando se fala em gestão de dados atualmente, a expressão da moda é o Big Data. Dan Reznik alerta, porém, que há uma confusão conceitual sobre o tema. “Não existe nada mais estúpido que uma empresa pedir um Big Data, sem primeiro enxergar problemas já existentes na gestão de dados ou uma oportunidade de negócio”, diz. 

Diretor da Dama, Bergson Lopes Rêgo, também defende que, antes do Big Data, é preciso resolver o déficit na gestão da informação. “Se a empresa não conhece seus dados, não garante a qualidade e a disponibilidade, se a gestão não tem elo com a área de negócios, o que ela irá tirar de proveito do Big Data? Muito pouco”, afirma. 

Por conta disso, Paulo Pagliusi, PhD em Segurança da Informação, afirma que uma gestão de dados estruturada facilita a monetização de um Big Data posteriormente implementado. “Ninguém quer investir para perder, é preciso resolver antes o déficit de gestão.”

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