Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Gestão do fundo acirra clima entre Ministério da Economia e Caixa

A proposta é permitir que outros bancos públicos e privados participem da gestão do fundo

Camila Turtelli e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2019 | 05h00

Correções: 24/07/2019 | 13h55

BRASÍLIA - O Ministério da Economia criou um departamento do FGTS, o que vem causando ciumeira na Caixa Econômica Federal. O banco estatal é responsável pela gestão do FGTS, mas a equipe econômica defende retirar do banco a exclusividade da gestão do fundo, que tem quase R$ 500 bilhões em ativos.

A estratégia já foi comentada publicamente por integrantes do governo. A proposta é permitir que outros bancos públicos e privados participem da gestão do fundo. O trabalhador poderia escolher qual banco administraria os seus recursos depositados. A Caixa recebe por ano cerca de R$ 5 bilhões para fazer esse trabalho (1% do ativo total).

O clima entre os técnicos do Ministério da Economia e funcionários da Caixa piorou depois que o governo pediu para acelerar os estudos de liberação dos recursos do FGTS para ativar a economia.

O banco está tendo de montar às pressas uma força-tarefa para atender os cotistas nos próximos meses, o que deve lotar as agências do banco em todo o País e exigir horas extras dos seus funcionários. 

Segundo o Estado apurou, a ideia é que o departamento do FGTS cuide também do PIS/Pasep e do Fundo de Compensações de Variações Salariais (FCVS), que garante a liquidação de saldos remanescentes de financiamentos imobiliários. 

Um novo modelo para o fundo está em análise pela equipe econômica e pode trazer no médio prazo novas mudanças. Uma das ideias é mudar a alíquota de 8% que é paga pelas empresas sobre o salário do trabalhador. Também há estudos para melhor a remuneração dos empréstimos que são feitos com recursos do FGTS. 

Uma das propostas avaliadas é que os financiamentos sejam remunerados pela Taxa de Longo Prazo (TLP), nova taxa aplicada aos empréstimos do BNDES. Outra proposta é que o trabalhador possa aplicar os seus recursos no Tesouro Direto, programa de venda de títulos do Tesouro Nacional.

Correções
24/07/2019 | 13h55

Matéria corrigida para informar que os 8% sobre o salário recolhidos ao FGTS são pagos pela empresa. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.