Gestão exponencial ainda é desafio no Brasil
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Gestão exponencial ainda é desafio no Brasil

Separar o que é crescimento do que é marketing requer atenção

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2021 | 07h30

O mundo corporativo tem mudado com uma rapidez absoluta, principalmente com a pandemia da covid-19 e, dentro da métrica de mudanças, a gestão exponencial aparece com frequência quando a história é aumentar o potencial do negócio. De forma resumida, o crescimento acelerado é o que faz organizações serem consideradas “exponenciais”.

O termo surgiu para diferenciar empresas que possuem expansão muito superior à média do mercado em geral e que ocorre em curto espaço de tempo. Separar o que realmente é crescimento exponencial do que é marketing, no entanto, ainda é um grande desafio. A expressão veio de estudos dos pesquisadores Salim Ismail, Yuri Van Geest e Michael Malone, coautores da obra homônima. A função exponencial é aquela em que o número da base é multiplicado por si mesmo pela quantidade de vezes indicada pelo exponente.

A base para detectar se a empresa entra nessa linha é saber se segue a cartilha das que venceram no mercado: o crescimento rápido passa por pilares-padrões, segundo o professor Luiz Barbieri, responsável pelo projeto Hubs do Ibmec-RJ. De acordo com ele, as premissas são o mindset de longo prazo – pensar lá na frente idealizando o negócio com tamanho enorme; cultura de inovação; comunicação –, capacidade de se comunicar quebrando barreiras de cargos, ego, burocracia e forte posicionamento da marca. “Ter força, construção de marca não é fácil, mas todas as startups que tiveram gestão exponencial investem na marca, nome, logo e storytelling”, destaca.

Em boa parte dos casos, no entanto, a tecnologia é a base central do crescimento. “A gestão exponencial vai tratar daquelas empresas que têm crescimento muito acima da média das demais empresas do mesmo segmento. Trata-se de ações, metodologia, tecnologias, inovações, autonomia de equipes que juntas proporcionam crescimento acelerado”, afirma Éber Feltrim, especialista em gestão de negócios.

Separar o joio do trigo, no entanto, pode ser mais difícil do que parece. A ideia da gestão exponencial passa diretamente pelo DNA da empresa. Em tempos como os atuais, isso significa uma gestão de pessoal bem diferente da que o mercado brasileiro conhece.

Para o professor Barbieri, a gestão exponencial não é modismo e veio para ficar. “Mas ainda não estamos preparados. Não vejo líderes com esse tipo de visão. Temos um modelo muito hierárquico, falta de motivação, de estímulo, de perfil. Empreendedor tem que ser arriscado, todos que fizeram acontecer se arriscaram demais.”

É uma questão de sobrevivência dos negócios, afirma Barbieri, porque as pessoas são cada vez mais digitais e querem mais agilidade e comodidade. “No pós-pandêmico, alguns valores que começaram a valer durante a pandemia devem se manter. As pessoas que não eram digitais agora são. A única certeza que temos na economia brasileira é a incerteza; construir um negócio que seja escalável até para outros países é fundamental”, explica o professor.

Pandemia acelera crescimento de plataforma de e-commerce

Exemplo de gestão exponencial, Lucas Camargo, CEO da Instabuy, plataforma de e-commerce para supermercados, afirma que a pandemia acelerou para muitas empresas a importância de mudança de paradigmas. “A ideia é a descentralização. Fugindo do modelo de gestão das empresas tradicionais, os colaboradores participam do processo decisório com sugestões e alternativas. A utilização da Big Data faz com que essas empresas não dependam de intuição ou feeling do capital humano. Esse tipo de gestão tira proveito dos 5 P’s: produtividade, prevenção, participação, personalização e previsão”, ensina.

Se na teoria parece simples, na prática, muitas coisas podem segurar esse crescimento. No País, a burocracia do negócio é a principal delas. Passando ainda diretamente pela força de trabalho. “Para avançar de forma exponencial e não linear, precisa de uma série de esforços na quantidade de direcionamentos para facilitar os processos que estão envolvidos. Por isso, o crescimento depende especialmente de fatores como inovações tecnológicas e escalabilidade”, diz Adriana Moya Pereira, presidente da Associação Brasileira dos Agentes Digitais.

“Se organizações exponenciais se livraram da barreira de uma força de trabalho excessiva e, por isso, têm uma velocidade de operação e de crescimento nos negócios muito mais rápida, é preciso ver se a longo prazo isso dura”, explica Adriana.

 

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