Gestão profissional dá nova perspectiva

Grupos aumentam produtividade e buscam abertura de capital

O Estadao de S.Paulo

22 de dezembro de 2007 | 00h00

Uma das principais mudanças provocadas pelo novo boom do setor sucroalcooleiro é a gestão profissional dos negócios. Quase todas as empresas que desembarcaram no País nos últimos anos têm capital aberto - seja no Brasil, nos Estados Unidos ou no Reino Unido - e obedecem a rígidas regras de governança corporativa, o que significa mais transparência na condução dos negócios. "Esses investidores não misturam o seu bolso com o dinheiro da empresa", afirma o sócio da IBM, Martiniano Lopes.Outro fato que exige um nível elevado de profissionalização é a alta participação dos fundos de investimentos e fundos de pensão internacionais nessas novas empresas. Como precisam garantir a rentabilidade de seus cotistas, exigem negócios competitivos, eficientes e bem estruturados. "O setor está passando por uma mudança muito grande com o aumento da profissionalização e abertura de capital", afirma o sócio da Adecoagro, Marcelo Vieira.Trata-se de um movimento que está mexendo com todo o setor. "É o resultado da necessidade de escala. Para aumentar a produtividade, as empresas começam a procurar o mercado de capitais", observa Lopes, da IBM. Segundo ele, hoje há, pelo menos, oito companhias do setor fazendo estudos e avaliações para IPOs (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações).A primeira empresa do setor a estrear na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi a Cosan, em novembro de 2005, já prevendo a fúria dos investidores estrangeiros por ativos brasileiros. Logo em seguida vieram São Martinho, um dos maiores produtores nacionais de açúcar e álcool, e a Guarani, do Grupo estrangeiro Tereos. Espera-se que em breve a Nova América, dona do Açúcar União, também faço o seu IPO.Na avaliação de especialistas, é um sinal de amadurecimento do setor, onde boa parte das 350 unidades existentes ainda está sob o comando de empresas familiares. Para eles, daqui para frente sobreviverão as usinas que produzam em escala para fazer frente tanto à demanda crescente pelos produtos como aos novos investidores, bastante capitalizados.Segundo o diretor-técnico da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues, os novatos não contam apenas com arsenal financeiro para dominar a expansão do setor. Eles também estão amparados por profissionais experientes e exímios conhecedores da produção de açúcar e etanol a partir da cana-de-açúcar.

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