Gestoras atraem novos investidores

Empresas independentes aproveitam queda da taxa básica de juros e aumentam a oferta de serviços para atrair novos clientes

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2012 | 03h07

O fim do ganho com juro alto nos últimos meses tirou o brasileiro da zona de conforto. A ausência de uma fórmula de investimento no Brasil é agravada pela instabilidade do Ibovespa, que já esteve mais valorizado (ver no gráfico). Neste ano, o ganho da Bolsa é de 2,95%; em 12 meses, a alta é de 8,61%.

Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve reduzir a taxa básica de juros da economia novamente. Será a oitava queda seguida da Selic. Na avaliação do mercado, o corte será de 0,50 ponto, para 7,50% ao ano, levando os juros para o menor patamar da história. Bom para a economia do País, mas confuso para o investidor.

A falta de rumo para aplicações financeiras colocou em cena as empresas independentes de investimentos. Para atrair os aplicadores carentes por informação, as gestoras inauguraram áreas para investidores com menos recursos disponíveis, diversificaram produtos, reduziram o tíquete médio de fundos e, agora, batem insistentemente na tecla de informação financeira.

Nos países com histórico de juros baixos, a cultura das empresas independentes é mais comum. Nos Estados Unidos, por exemplo, boa parte das aplicações dos investidores está nas mãos das gestoras.

"A gente foi mal acostumado com juro muito alto. Fora do Brasil, isso não existe", diz Julio Ortiz, diretor comercial de pessoa física da Rio Bravo. A empresa, além de atender clientes com no mínimo R$ 1 milhão para aplicação, abriu uma nova área para pessoas físicas com R$ 50 mil disponíveis. "Quando você fala em clientes menores, não fala em clientes pequenos. Tem muito cliente médio no Brasil que precisa receber, principalmente agora, uma boa orientação de uma instituição", diz. A nova área da Rio Bravo já tem cerca de 2 mil clientes.

A mudança na realidade de investimento do Brasil também influenciou a gestão da Advis Investimentos. A área de Wealth Management da empresa tem como público-alvo investidores cujo dinheiro disponível para aplicação varia entre R$ 300 mil e R$ 5 milhões. "O momento que atravessamos é uma mudança na cultura do Brasil", diz Eduardo Haber, sócio responsável da Advis pela área de Wealth Management.

Para responder às novas demandas, a gestora passou a oferecer aos clientes menores alguns produtos antes exclusivos dos investidores com mais recursos aplicados. "O que a gente vem fazendo é levar até os clientes com nível de investimento menor produtos que só chegavam aos clientes em potencial", diz Haber. "São produtos mais sofisticados de multimercados, de renda fixa, de renda variável, por exemplo."

Com o fenômeno do juro baixo, os tíquetes de entrada também diminuíram para alguns produtos da empresa. "Os produtos para fundos da área de wealth têm aplicação mínima de R$ 20 mil, com movimentação de R$ 5 mil. Não é um varejo, mas também não é um grande private", afirma Haber.

Na XP Investimentos, a custódia já soma R$ 6 bilhões, com crescimento mensal de 8%. A empresa tem defendido a pesquisa pelo melhor investimento e realizado palestras de educação financeira pelo Brasil - são 400 escritórios no País e um recém-inaugurado em Nova York. "Se o cliente conseguir 2% a mais de rendimento ao ano, vai conseguir 81% a mais de rentabilidade em 30 anos", diz Guilherme Benchimol, presidente da empresa.

No portal da XP Investimentos - um shopping financeiro -, é possível comparar a rentabilidade de diversos fundos de diferentes gestores. "O investidor está incomodado porque viu que o dinheiro que ele ganhava no banco diminuiu e, quando vem pra cá, começa a procurar opções que no banco não são tão oferecidas", afirma Benchimol.

Quando vale a pena. No momento de decidir pela transferência de um recurso para uma empresa independente, é importante o investidor levar em conta a necessidade de liquidez daquela aplicação, o histórico da gestora e pesquisar se esse é realmente o melhor destino para o dinheiro. "No caso de um banco, por exemplo, o investimento em um fundo de renda fixa é mais simples. E, em alguns casos, tem mais liquidez", diz Daniel Motta, professor de economia do Insper.

Uma possibilidade, segundo Motta, é o investimento no Tesouro Direto. "Nesse caso, o investidor entra diretamente no site do Tesouro, se cadastra e por meio de uma corretora compra títulos públicos", afirma Motta. A vantagem do Tesouro, diz ele, é que não há uma taxa de administração e o risco de crédito é do governo - o mais seguro. "Você acompanha o papel que comprou. Num fundo é mais difícil acompanhar o que tem dentro dele."

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