Valeria Gonçalvez/AE
Adam Capital, de Marcio Appel, tem R$ 26,5 bilhões de ativos sob gestão Valeria Gonçalvez/AE

Gestores têm trajetórias semelhantes

Maioria estudou nas escolas mais disputadas do País e do exterior, além de ter ocupado posição de destaque no mercado financeiro

Cristiane Barbieri, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2019 | 05h00

As histórias dos profissionais por trás das gestoras criadas nos últimos anos são mais ou menos parecidas. Foram educados nas mais disputadas escolas no País e no exterior e ocuparam posições de destaque na elite do mercado financeiro, muitos com passagens internacionais. Juntaram-se com amigos e levaram adiante a vontade de construir e ganhar dinheiro de verdade. A maior parte tem entre 40 e 50 anos. 

Mesmo com tanto em comum, os recursos sob suas mãos variam de poucas dezenas de milhões a muitas dezenas de bilhões de reais. Além do tempo de existência e da origem dos recursos da gestora, o que conta para entrar no time dos grandes, em tempos de pulverização dos investidores, é o histórico dos gestores e da rentabilidade. 

Com seu primeiro fundo lançado em 2016, por exemplo, o Adam Capital tem 60 mil clientes e R$ 26,5 bilhões de ativos sob gestão. Motivo: desde que foi lançado, os fundos já renderam 146% do CDI, a taxa de referência do mercado. 

Além disso, os sócios Márcio Appel e André Salgado têm um histórico bem sucedido em suas vidas pregressas em bancos. Os dois trabalharam juntos no Santander, mas foi no Safra em que tiveram a oportunidade de montar um fundo de alta rentabilidade e maior risco, mesmo num ambiente de inflação alta. 

A estratégia de investimento foi baseada em tendências estruturais de longo prazo, com instrumentos financeiros montados de forma a reduzir as oscilações de curto prazo. Quando os dois saíram para criar a Adam, o fundo tinha perto de R$ 15 bilhões em ativos. 

“Era uma história razoavelmente única e não íamos inventar moda, mas fazer a mesma coisa, só que de maneira independente”, diz Salgado, de 45 anos. “Tínhamos o reconhecimento do mercado como geradores de resultados, o conforto de patrimônio pessoal para tomar risco e a mudança na forma de distribuição de fundos independentes no Brasil.”

Apesar de parecer um caminho óbvio a ser trilhado para quem está em transição para essa nova forma de trabalho, não se trata de decisão simples. “Sempre me perguntam se vale a pena trocar uma carreira por algo incerto que é empreender”, afirma Salgado. “Se a pessoa tem a capacidade de gerar valor para seu cliente, tanto o banco quanto o mercado vão querê-la. Sempre fui feliz na carreira bancária, mas hoje consigo me dedicar só ao essencial.”

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