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Giambiagi: ''''Fim da CPMF não é fim do mundo''''

Em palestra, economista recentemente afastado do Ipea dá sugestões para o caso de não-prorrogação do tributo

Vinícius Pinheiro, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

A possibilidade de o governo não aprovar a prorrogação da CPMF até 2011 é delicado do ponto de vista fiscal, mas não se trata "do fim do mundo". A avaliação é do economista Fábio Giambiagi, recentemente afastado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e que assume amanhã a chefia do Departamento de Análise de Ricos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Sem a CPMF o governo precisará dar uma resposta rápida, mas não concordo que seja algo tão dramático."Na primeira aparição pública depois das mudanças no Ipea, o economista afirmou que acredita na aprovação da CPMF pelo Congresso, porém já foi mais otimista em relação ao assunto. "Uma perda de 1,4% do PIB em receita da noite para o dia é algo sério, mas o governo não pode adotar o discurso de que será o fim o mundo, pois terá de acordar no dia seguinte sem o tributo."Caso a CPMF caia no Congresso, Giambiagi sugeriu um ajuste dividido em duas partes: a redução da meta de superávit primário para 2008 em 0,7% do PIB e uma alteração na composição das receitas e despesas na mesma magnitude.O economista propôs a ampliação na alíquota de tributos como IOF e IPI de 0,1% do PIB, cada. Ele estimou ainda um ganho de 0,1% na receita com crescimento do consumo. Os outros 0,4% viriam de ajustes nas despesas correntes (0,25%) e investimentos (0,15%). "Mas para que isso ocorra será necessário que aconteça mais uma vez a famosa vontade política."Giambiagi evitou comentar a polêmica sobre o afastamento dele e de mais três economistas, supostamente não alinhados com o pensamento da nova diretoria do Ipea. Ele disse que encara a nova função no BNDES como desafio, já que não está ligada à área de pesquisa, na qual esteve envolvido nos últimos 20 anos. Ele afirmou ainda que não sabe se a nova função será compatível com a continuidade do trabalho no Ipea.Em palestra no seminário "O que esperar de 2008", Giambiagi atacou outros pontos controversos, além da CPMF. Ele defendeu, por exemplo, a eliminação completa dos títulos indexados na Selic (LFT) até 2010. "O trabalho do Tesouro nesse sentido tem sido magnífico, mas precisa ser levado até o fim."O economista também defendeu a redução na tributação sobre os rendimentos das aplicações financeiras e apontou a necessidade de o governo voltar a dar isonomia a investidores brasileiros e estrangeiros na compra de títulos federais.

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