Giannetti lança livro sobre negociações internacionais

Em 1986, um grupo de empresários brasileiros quase perdeu a chance de exportar aço para a China por causa de um tradutor traidor. Ele modificou as propostas de preço dos brasileiros para favorecer os concorrentes coreanos. "Nós ali, oferecendo desconto de um dólar por tonelada e o homem traduzindo tudo errado", conta o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior, Roberto Giannetti da Fonseca. "Só fomos discutir a traição no dia seguinte."Quando a conversa é com muçulmanos, a peculiaridade é outra. "Eles interrompem a negociação no ponto em que estiver quando chega a hora de rezar", diz o secretário. Só depois de orar meia hora voltados para Meca é que eles voltam a tratar de negócios. Giannetti descobriu isso quando acertava uma venda para a Nigéria.Essa e outras histórias ocorridas nas décadas de 70 e 80 são contadas no livro "Memórias de um Trader", editado pela IOB, que foi lançado nesta quarta-feira na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Participou do evento o embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima, que como representante do Brasil nos Estados Unidos protagonizou muitas das histórias contadas por Giannetti. Também estavam lá o ex-ministro do Desenvolvimento Alcides Tápias e presidentes de tradings. "Tudo o que faço hoje à frente da Camex é fruto de minha experiência de 25 anos como trader", disse o secretário. Ele explicou que, ao escrever o livro, pretendeu inspirar empresários brasileiros a exportar. "Tenho uma certa frustração ao ver que a exportação no Brasil é muito pequena", disse. "Ela deveria ser mantida como prioridade por muitos anos, como forma de reduzir a percepção de risco do País."

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