Giannetti traça cenário pessimista para exportações

O ex-secretário da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Roberto Giannetti da Fonseca, disse hoje que a manutenção do câmbio nos atuais níveis, em torno de R$ 2,90, vai resultar em uma nova perda do dinamismo exportador do Brasil, a exemplo do que aconteceu no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. "Nos atuais patamares, a lucratividade das vendas externas cai e o empresário deixa de investir nessa área", afirmou Giannetti, que também preside da Silex Trading, empresa exportadora. Para que as exportações não percam o dinamismo, ele considera ideal uma taxa de câmbio em R$ 3,10. Em defesa de suas afirmações, o executivo disse ainda que, apesar de os números sugerirem que as contas externas estão melhores, a realidade é o inverso. Segundo ele, a vulnerabilidade externa do País piorou com a valorização do real porque as importações vão crescer assim que a economia registrar algum aumento de atividade, e as exportações tendem a recuar por conta do preço menos competitivo do produto brasileiro. "A taxa atual é muito prejudicial. Se não houver uma recuperação do câmbio e medidas de estímulo às exportações, teremos sérios problemas com as exportações", destacou. Giannetti acredita que dificilmente o crescimento das vendas externas no segundo semestre deste ano superará o do mesmo período do ano passado. No segundo semestre de 2002, as exportações foram beneficiadas pela desvalorização do real, enquanto neste ano, o que se vê é a valorização da moeda. "A base de comparação é muito alta. Para mim, se conseguirmos exportar o mesmo que nos seis últimos meses de 2002, já teremos um resultado bom", finalizou.

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