JF Diorio/Estadão
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Gigante de Goiás, SuperFrango vai fazer IPO e quer avançar em outras regiões do País

Oferta inicial de ações deve ser feita em janeiro do ano que vem e pode chegar a R$ 1,5 bilhão, segundo estimativas do mercado

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2020 | 13h35

A gigante do frango de Goiás, o grupo industrial goiano São Salvador Alimentos (SSA), dona da marca SuperFrango, do empresário José Garrote, está conversando com investidores, no chamado “non deal roadshow”, que são reuniões com investidores sem ter uma operação relacionada. O objetivo, contudo, é abrir o capital em janeiro do ano que vem para buscar recursos para dar mais tração aos seus investimentos.  

A empresa abate 350 mil aves por dia e abastece mercados de oito Estados brasileiros e Distrito Federal, além de exportar para cerca de 70 países. A receita líquida do ano passado da companhia foi de R$ 1,6 bilhão. A oferta, que pode chegar a R$ 1,5 bilhão, segundo estimativas do mercado, será coordenada pela XP Investimentos, Itaú BBA, BTG Pactual e Bradesco BBI, apurou o Estadão.  O pedido para a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) está bem próximo de ser feito à Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

“A empresa vai ser a queridinha do frango. É uma companhia muito organizada, com o balanço auditado há anos. É um ‘brinco’”, comenta uma fonte, que falou na condição de anonimato. A percepção de fontes de mercado é de que a empresa experimentará algo semelhante ao vivido pelo Grupo Mateus, varejista do Maranhão, que conquistou em seu IPO em outubro grande apetite dos investidores

A geração de caixa do SuperFrango, medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), é na casa de R$ 500 milhões por ano e tem chamado a atenção dos investidores a margem ebitda, de 21,7% na média nos últimos anos, segundo fontes. Em 2019, foi de 30%. O mesmo indicador da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, no terceiro trimestre, foi de 13,7%. 

A alta margem tem relação com a estratégia de negócio da empresa, com foco no pequeno varejista e atendimento sempre próximo. Quem conhece Garrote, que comanda de perto a São Salvador Alimentos, sabe de uma história de quando o SuperFrango começou a vender ao Carrefour. O empresário entregou os frangos em suas caixas, customizadas e praticamente novas à varejista. Quando foi buscar as caixas, no dia seguinte, foi direcionado a uma pilha de caixas e ali não estavam a suas. Nesse momento, decidiu se focar no pequeno varejo regional, para o qual teve que desenvolver uma logística própria.

Ao contrário do grande varejista que tem capacidade de armazenamento, o pequeno não consegue arcar com esse custo. Por isso, muitas vezes, a entrega tem que ser feita até três vezes por semana. “A tese da empresa é regional, agora o projeto é expandir para fora de Goiás”, disse uma fonte que acompanha o processo. 

A empresa, segundo fontes, quer captar dinheiro no mercado para seguir com sua trajetória de rápida expansão, o que tem incluído aquisições, com atenção à diversificação de seu portfólio, e investimentos em tecnologia. Hoje, a empresa possui fábrica de rações, de recria, unidade de recria de aves matrizes, unidade de produção de ovos férteis, incubatório, armazéns graneleiros, sistema de integração de aves, além de um dos maiores e mais modernos abatedouros de aves do País. A empresa tem hoje cerca de 4 mil funcionários diretos e outros 1,5 mil terceirizados.

A empresa foi criada na década de 1970, por Carlos Vieira, que começou o negócio com os primeiros aviários em Itaberaí, Goiás, onde ainda é a sede da empresa. Mas foi em 1981 que chegou à sociedade José Garrote, quando surgiu o Abatedouro São Salvador. No mesmo ano foi aberta a primeira fábrica da empresa, momento em que foi lançada a marca SuperFrango. Em 2005 foi dado o pontapé inicial rumo ao mercado externo, sendo o Japão, desde então, um importante destino. Em 2011 partiu rumo à Europa e, em 2015, conseguiu o selo para exportar para a China. 

Procurada, a São Salvador Alimentos não comentou.

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