Gigante mineradora anuncia lucro menor e demissão de 19 mil

Anglo American é mais uma vítima da queda das commodities e reduzirá em 10% número de empregados

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

20 de fevereiro de 2009 | 16h14

A queda das commodities diante da crise mundial faz mais uma vítima. Nesta sexta-feira, 19, a gigante Anglo American anunciou a demissão de 19 mil funcionários diante de uma queda de 29% em seus lucros em 2008. A queda na demanda no setor de construção e a queda na venda de carros são alguns dos principais fatores que estão levando as mineradoras a entrar em crise.   Veja também: Unidade da GM na Suécia declara insolvência De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise   Diante do cenário, a empresa decidiu demitir 10 mil trabalhadores da Anglo Platinum, maior empresa de platina do mundo. Outros 9 mil trabalhadores também serão demitidos. Com isso, a empresa reduz em 10% o número de empregados e espera economizar US$ 2 bilhões até 2011.   Para a CEO da empresa, Cynthia Carroll, o cenário em 2009 continuará ruim. "Decidimos posicionar a empresa para enfrentar a crise, incluindo a redução de planos de crescimento de produção", afirmou. A revisão dos planos de investimentos também foi recebida com pessimismo no mercado. O resultado do anúncio foi uma queda de mais de 14% nas ações da gigante do setor de mineração. A receita da Anglo American caiu em 7,6%, para US$ 32 bilhões em 2008.   Para Carroll, a crise e seu impacto nas taxas de crescimento em economias e setores são profundas. "Da produção de automóveis no mundo à atividade de construção em países emergentes, vemos um contraste enorme entre o primeiro e segundo semestre de 2008", disse.   Diamantes   Outro problema está no setor de diamantes. A mineradora tem 45% das ações da De Beers, a maior empresa de diamantes do mundo. O comércio das pedras, porém, caiu em 50% desde o início da crise. O maior mercado de diamantes é o americano e, com a recessão, o setor também está sendo afetado.   Países que dependem de recursos naturais são os primeiros a sofrer com a crise no setor. Na Namíbia, por exemplo, a previsão do Banco Central é de 2 mil pessoas perderão seu trabalho na mineração em 2009.   A queda no preço de commodities já está também fazendo governos adiarem propostas que tinham de cobrar mais caro pela exploração de seus recursos minerais. Na África do Sul, o governo estava prestes a adotar uma nova lei de royalties. Mas, pressionado pelo sindicato de trabalhadores de mineradoras, a decisão do governo foi de adiar a nova lei até 2010. A nova taxa poderia afetar 20 mil trabalhadores, segundo o sindicato.  

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