Gigantes do petróleo vão voltar a cortar investimentos neste ano

Para garantir pagamento de dividendos, empresas terão de cortar gastospara compensar queda dos preços do produto

LONDRES, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2016 | 05h00

Com o preço do petróleo atingindo o menor valor dos últimos 11 anos, os maiores produtores mundiais de óleo e gás estão enfrentando o maior período de cortes de investimento em décadas, visando ao menos preservar os dividendos exigidos pelos investidores.

Com o barril custando cerca de US$ 37, os preços do petróleo estão muito abaixo dos R$ 60 que empresas como Total, Statoil e BP precisam para equilibrar suas reservas, nível que já foi reduzido drasticamente nos últimos 18 meses.

As petrolíferas internacionais estão, mais uma vez, sendo forçadas a cortar gastos e empregos, vender ativos e atrasar projetos, já que a queda do preço do petróleo não sinaliza uma possível recuperação.

As produtoras norte-americanas Chevron e ConocoPhillips publicaram os planos de corte no orçamento de 2016 por um trimestre. A Royal Dutch Shell também anunciou mais US$ 5 bilhões em cortes, caso se consolide a aquisição da BG Group.

Em 2016, os investimentos globais em petróleo e gás devem cair para o nível mais baixo nos últimos seis anos, atingindo US$ 522 bilhões, após enfrentar uma queda de 22% e chegando a US$ 595 bilhões em 2015, segundo a consultoria Rystad Energy, sediada em Oslo. “Esta será a primeira vez, desde a crise de preços do óleo de 1986, que veremos um declínio nos investimentos por dois anos consecutivos”, disse o vice-presidente de Mercados de Petróleo e Gás da Rystad Energy, Bjoernar Tonhaugen.

As atividades que sobreviverem serão aquelas que irão oferecer os melhores retornos. Mas com o índice de endividamento baixo, fontes da indústria dizem que as empresas pretendem assumir empréstimos para cobrir o déficit na receita e proteger o pagamento de dividendos. /

REUTERS

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