'Gigantes' preparam venda de ativos em 2013

Liquidação será essencial para garantir projetos prioritários de Petrobrás e Vale; para analistas, empresas podem amargar prejuízos nesses negócios

MARIANA DURÃO , MÔNICA CIARELLI / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2012 | 02h04

O ano de 2013 vai começar com grandes empresas, como Vale e Petrobrás, promovendo uma temporada de liquidação de ativos. Por trás disso está a necessidade de caixa para financiar projetos prioritários. Em um momento de depreciação de ativos, o desafio será minimizar perdas com a venda dessas unidades.

"Não dá para comparar com os preços de dois anos atrás. O cenário mudou", afirmou o ex-diretor de investimentos da Previ e chefe de fusões e aquisições do Banco Fator, Fábio Moser. Ele lembra que o período de liquidações, que chega agora ao Brasil, já ocorreu no exterior. Apesar da crise internacional, ele diz que a qualidade dos ativos é boa. Por isso, haverá interessados.

O economista Paulo Vicente, da Fundação Dom Cabral, tem uma visão mais preocupante sobre a situação. "Tem ativos que podem acabar sendo vendidos na bacia das almas", diz. Além da crise, a ingerência do governo na administração também é vista negativamente: "O governo tem feito mudanças que aumentaram a incerteza jurídica."

Pressionada pela defasagem dos preços dos combustíveis, a Petrobrás planeja a venda de cerca de US$ 14,8 bilhões em ativos. Inicialmente focada na venda de ativos no exterior, a petroleira já estendeu o plano a ativos locais. Em novembro, vendeu por US$ 270 milhões sua fatia de 40% na concessão BS-4, na Bacia de Santos, para a OGX. A empresa precisa de recursos para sustentar seu programa de investimentos de US$ 236,5 bilhões até 2016.

No caso da refinaria de Pasadena (EUA), o mercado aponta que a Petrobrás pode acabar com um prejuízo bilionário. A estatal pagou US$ 1,18 bilhão pela refinaria, mas ela é hoje avaliada em cerca de um décimo deste valor.

A mineradora Vale também está se mexendo para conseguir colocar de pé seu megaprojeto de minério de ferro no Pará, Serra Sul, orçado em quase US$ 20 bilhões. No radar estão ativos de óleo e gás e de logística. Este ano, os desinvestimentos da Vale englobaram ativos na Colômbia e nos Estados Unidos. Além destes, a Vale também se desfez de ativos de ferroligas de manganês na Europa e de navios.

Outros 'saldões'. Além de Vale e Petrobrás, empresas como a petroleira HRT e a petroquímica Braskem já anunciam a venda de ativos como opção para reforçar o caixa. E a Eletrobrás, que aderiu à proposta do governo de renovação da concessão de energia elétrica, não descarta negociar as seis distribuidoras federalizadas sob seu controle.

Outro caso emblemático é o da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), da alemã ThyssenKrupp. O grupo pena para se desfazer da unidade Steel Americas - que inclui a usina de placas no Brasil -, cada vez mais desvalorizada: no último balanço o conjunto foi avaliado em 3,9 bilhões, menos da metade do total investido pela Thyssen.

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