Giro na Bovespa foi o menor do ano sem referencial externo

Cenário:

CLAUDIA VIOLANTE , O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2011 | 03h05

Sem a referência do mercado norte-americano e das praças financeiras mais importantes na Europa, que ficaram fechadas ontem em razão das comemorações de Natal, o noticiário foi fraco, os negócios correram devagar e o giro financeiro ficou reduzido em quase todos os segmentos. A Bovespa, por exemplo, passou o dia de lado e, no fim da sessão, bateu na mínima de 56.669,48 pontos, com queda de 0,05%. O movimento financeiro foi o menor do ano, com apenas R$ 1,285 bilhão negociados - o segundo menor foi registrado no dia 30 de maio, em R$ 1,689 bilhão.

Nesse ambiente de liquidez reduzida, as ações ficaram sem norte. Entre os papéis mais negociados da Bolsa, Vale ON terminou o dia com perda de 0,78%, enquanto Vale PNA cedeu 0,64%. No setor siderúrgico, Gerdau PN ficou 0,55% mais barata e Usiminas PNA recuou 0,19%. A ação ON da Petrobrás caiu 0,50% e a PN, 0,23%.

E foi justamente o giro financeiro minguado que amplificou o movimento técnico de redução de posições vendidas em taxa no mercado futuro de juros. Segundo operadores, em um ambiente de poucos negócios e com os investidores propensos a diminuir suas apostas em uma queda mais expressiva da Selic, uma vez que a inflação segue pressionada e a atividade robusta - como mostrou o índice de desemprego de novembro em apenas 5,2% -, qualquer operação pode provocar uma variação mais forte das taxas. Diante disso, o contrato de juro futuro com vencimento em janeiro de 2013 subiu de 10,06% no ajuste de sexta-feira para 10,18% ontem, enquanto o contrato para janeiro de 2014 avançou de 10,52% para 11,65%. Nem mesmo a redução nas projeções de inflação oficial para 2012 - de 5,39% para 5,33% -, reveladas pelo Banco Central no boletim semanal Focus, foram capazes de segurar as taxas. A expectativa dos agentes para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano, por outro lado, passou de 6,52% para 6,54% - ante um teto da meta de inflação de 6,5%. Ainda assim, como uma variação inferior a 6,55% pode ser arredondada para baixo, segundo o próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, a meta de 2011 deve ser assegurada.

No dólar, que ficou estável em R$ 1,8590 no balcão e teve oscilação pequena - variou entre a mínima de R$ 1,8520 e a máxima de R$ 1,8600 -, o giro também foi muito estreito, de apenas US$ 797 milhões. Esse volume é aproximadamente metade do verificado na sexta-feira, que já foi bem menor do que a média diária.

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