Aly Song/Reuters
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Glaxo planeja demitir para cortar US$ 1,6 bi

Farmacêutica britânica, que viu lucro despencar 62% no 3º trimestre, segue concorrência e adota plano austero para combater alta de despesas

O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2014 | 02h05

A reestruturação da farmacêutica britânica GlaxoSmithKline deverá afetar centenas - e talvez até mais de mil - trabalhadores nos Estados Unidos, onde a companhia emprega atualmente 17 mil pessoas. A exemplo de outras concorrentes, a GSK está enfrentando pressão para reduzir custos. A meta é cortar nada menos de US$ 1,6 bilhão em custos fixos por ano.

A empresa, mais conhecida pela droga contra a asma Advair, deverá mexer nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, fabricação de produtos, vendas e marketing. A companhia também está considerando a venda ou o simples fechamento de divisões nos Estados Unidos e na Europa. Os segmentos mais afetados serão os de medicamentos já estabelecidos, cuja proteção de patente já venceu. A ideia é focar a atuação em remédios novos, para aumentar a rentabilidade para os acionistas.

O plano de reestruturação foi anunciado em 22 de outubro, quando a empresa informou queda de 13% em suas vendas globais e de 62% em seu lucro líquido no terceiro trimestre, em comparação ao mesmo período do ano passado. Os cortes estão sendo realizados especialmente na Europa e nos Estados Unidos porque a queda nas vendas está sendo especialmente forte nesses dois mercados.

As vendas dos medicamentos da Glaxo para doenças respiratórias - principal segmento da companhia - estão sendo fortemente afetadas. O Advair, para asma, registrou queda de 24% nas vendas nos Estados Unidos nos primeiros nove meses deste ano.

Os detalhes da reestruturação da companhia britânica começaram a aparecer na quarta-feira, quando a empresa começou a informar aos funcionários dos Estados Unidos sobre seus planos de forma mais específica. Em um comunicado, a companhia disse que cortará cerca de 900 vagas em marketing e pesquisa em sua sede na Carolina do Norte.

No entanto, a companhia afirmou que a maior parte dos cortes se dará por "congelamento" de contratações. A GSK informou que ainda não sabe ao certo quantos funcionários nos Estados Unidos serão afetados pelas demissões, mas adiantou que alguns deles receberão a chance de buscar uma transferência para outras sedes da companhia, incluindo a matriz na Filadélfia.

Cerca de 450 funcionários de Triangle Park, na Carolina do Norte, poderão continuar na companhia, mas trabalhando em Durham, que fica no mesmo Estado. Nesta cidade, a companhia é dona da Parexel International Corp, que oferece pesquisas customizadas, consultoria e demais serviços a outras indústrias farmacêuticas.

As mudanças estão sendo feitas para reduzir as gorduras da companhia e fazem parte de um período de ajustes que está afetando todo o segmento. Entre as pressões de custo das empresas estão o crescimento dos custos para a realização de pesquisas, a redução de despesas de planos de saúde e governos com a compra de medicamentos e o fato de algumas patentes importantes estarem perto de expirarem.

A piora dos resultados financeiros da companhia ocorre mesmo com um forte desempenho na aprovação de novas patentes de drogas nos Estados Unidos. Nos últimos 18 meses, a companhia criou 10 novas drogas. Entre elas estão um tratamento semanal para o diabetes tipo 2, uma combinação para o HIV chamada Triumeq e um inalador para pessoas com doenças respiratórias crônicas. Além destas, a companhia também aprovou mais remédios para tratamentos de câncer, doenças respiratórias e HIV.

União. A reestruturação global da GlaxoSmithKline também inclui um acordo de transferência de ativos com a rival suíça Novartis que abrange as áreas de medicamentos, vacinas e produtos de consumo. O contrato prevê que a Glaxo transfira seu negócio de drogas para câncer para a Novartis em troca da área de vacinas da rival.

Além disso, as duas companhias vão criar um novo negócio conjunto de bens de consumo com a combinação de produtos de ambas as marcas.

Esses produtos incluem itens da Glaxo, como os cremes dentais Sensodyne e Aquafresh, e também da Novartis, como as bebidas de nutrição Boost, o remédio para dor Excedrin, o antigripe TheraFlu e o suplemento de fibras Benefiber. / AP

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