Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Glencore domina compra de ações em IPO da CSN Mineração

Com um cheque de R$ 1,3 bilhão, gigante anglo-suíça respondeu por 25% do total do IPO da unidade do grupo CSN, que movimentou R$ 5,2 bilhões

Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2021 | 14h00

A anglo-suíça Glencore foi investidor de peso na oferta inicial de ações (IPO, pela sigla em inglês) da CSN Mineração e, na prática, a responsável por viabilizar a operação, com um cheque de aproximadamente  R$ 1,3 bilhão, ou seja, 25% do total do IPO, de R$ 5,2 bilhões, apurou o Estadão.

Com a CSN Mineração chegando à B3 valendo R$ 47,5 bilhões, a Glencore já se posiciona como um acionista com quase 3% da brasileira. A expectativa de analistas e investidores, após esse grande investimento na companhia, é que as duas empresas caminhem para uma parceria para atender a China, maior mercado consumidor de minério de ferro do mundo.

"Existe uma expectativa de as empresas fazerem uma parceria para misturar minério", disse uma fonte. O racional, assim, seria usar o suporte da Glencore, que é uma gigante global de trading de commodities para a mistura do minério da CSN Mineração, especificamente o da mina Casa da Pedra (que tem um teor de concentração de minério entre 63% e 65%, considerado alto), com minério de qualidade inferior para entrega na China. A fonte frisou, contudo, que não há nenhum acordo firmado até aqui.

Glencore e CSN já têm uma parceria de comercialização do insumo. Em 2019, em busca de caixa para reduzir seu endividamento, a CSN fechou um acordo para o fornecimento de longo prazo de minério de ferro à trading, com o pagamento prévio de US$ 500 milhões para a entrega de 22 milhões de toneladas em cinco anos. Depois fechou um segundo contrato por 10 milhões de toneladas de minério de ferro, por US$ 250 milhões, Por último, a trading pré-pagou mais US$ 115 milhões por quatro milhões de toneladas.

Demanda

A demanda na oferta da CSN Mineração não foi muito alta entre os investidores institucionais locais. Com isso, os investidores pessoas físicas ficaram com 20% do total da oferta, disse uma fonte. Com o reforço da Glencore, os estrangeiros abocanharam 70% da oferta da CSN.

A CSN, que foi vendedora na oferta, colocou no caixa R$ 3,6 bilhões, dinheiro que já foi prometido para reduzir sua dívida.  A mineradora estreia na B3 na próxima quinta-feira, dia 18.

Procuradas, Glencore e CSN não comentaram.    

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