Glencore vê oportunidades em seca dos Estados Unidos

O impacto que a pior seca nos Estado Unidos desde a década de 1930 teve nos mercados de grãos está abrindo oportunidades para o grupo Suíço Glencore, especialmente depois da trading house adquirir a operadora de grãos canadense Viterra Inc, disseram executivos.

ERIC ONSTAD, Reuters

21 de agosto de 2012 | 15h58

"Quanto às perspectivas para o resto do ano, o ambiente é muito bom. Preços mais altos, muita volatilidade, muitos deslocamentos, apertos, uma grande quantidade de oportunidades para arbitragem", disse Chris Mahoney, diretor de produtos agrícolas da Glencore, durante uma teleconferência nesta terça-feira.

"Acredito que ambos seremos capazes de prover soluções ao mundo, levando as coisas onde mais são necessárias, de forma rápida e oportuna, e isso também seria bom para a Glencore", acrescentou.

Mahoney disse que o clima quente e seco nos EUA, maior produtor mundial de milho, forçará uma mudança nos fluxos comerciais.

"O clima norte-americano a partir de meados de maio está entre três ou quatro piores deste século", afirmou.

A seca elevou ou preços do milho e da soja a máximas históricas, o que levou as nações do G20 a planejarem uma reunião de emergência e elevou o risco de haver uma crise alimentar mundial, como a de 2008, quando os altos preços dos insumos básicos provocaram agitações em alguns países.

No início deste mês, o banco alemão Commerzbank retirou os produtos agrícolas de um índice de commodities, após acusações de que a especulação tem impulsionado os preços dos alimentos.

Mahoney questionou se as projeções de produção e exportação do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA) precisariam ser revistas novamente, após terem sido diminuídas em agosto.

"A colheita de milho dos EUA, que em maio foi estimada em 380 milhões de toneladas, agora está em somente 270 milhões, mas esse número pode ainda estar alto", ele disse.

O executivo também duvida que os Estados Unidos sejam capazes de exportar 33 milhões de toneladas de milho, como projetou o USDA neste mês, menor que estimativas anteriores de 48 milhões de toneladas.

"Esta é uma situação bastante incomum, tivemos perdas de safra em 2008, havia um problema com o trigo, mas eu não vi nada desse tipo acontecendo agora", disse Mahoney.

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